Contágio também por transplante de órgãos

O contágio por zika através de transplantes de órgão foi confirmado pela primeira vez no Brasil. A descoberta de pesquisadores da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) foi publicada em artigo no American Journal of Transplantation, e descreveu as manifestações do vírus em quatro pacientes que apresentaram suspeita de infecção viral após receber um órgão novo. O estudo também foi coordenado por Maurício Lacerda Nogueira, que também faz parte da Rede de Pesquisa sobre Zika Vírus em São Paulo (Rede Zika).Em dois pacientes que receberam transplantes renal e outros dois submetidos a transplante hepático, o diagnóstico de zika foi confirmado por testes moleculares. “Esses quatro pacientes transplantados não apresentaram um quadro característico esperado para zika: manchas vermelhas na pele, coceira e conjuntivite. Na verdade, as manifestações clínicas eram difíceis de serem distinguidas daquelas observadas empessoas com dengue. Apresentaram redução no nível das plaquetas, por exemplo”, contou Nogueira. Todos precisaram ser internados e apresentaram quadros que se prolongaram em decorrência de complicações como infecção bacteriana, mas sobreviveram. Segundo o pesquisador, não houve manifestações mais graves, como a Síndrome de Guillain-Barré. “Mas à medida que os casos forem aumentando, esses fenômenos devem ficar mais fáceis de serem detectados”, disse.Em Pernambuco, por medida de segurança, a Central de Transplantes do Estado começou a adotar desde o início deste ano restrições por suspeita de arboviroses do doador. Tornou-se inapto o doador com sinais de arboviroses até 15 dias antes do procedimento, seja ele paciente vivo ou cadáver. O prazo vale para coração, rim, fígado e pâncreas. Para as córneas, o tempo de proibição é de 30 dias. O impacto dessas medidas representou uma queda de 20%nos transplantes de janeiro a março, com 12 contraindicações para doação. Proteína Uma proteína do leite já conhecida por proteger o organismo humano contra micróbios também pode ser um escudo contra os vírus zika e chikungunya, afirmam pesquisadores brasileiros. Por enquanto, os testes foram realizados in vitro, mas os dados abrem caminho para a busca de novas estratégias terapêuticas contra ambos os parasitas. No momento, só é possível combater a transmissão ou minimizar os sintomas.

Fonte: Folha de Pernambuco

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