Em até 10% dos casos, os homens com câncer de próstata chegam a uma fase avançada da doença, que tem maiores chances de cura quando o diagnóstico é feito em estágio inicial do tumor. Para as situações em que o câncer progride (e ainda está na próstata) ou nos casos de doença metastática (condição em que o tumor sai do local onde começou e vai para outras partes do corpo), é possível indicar tratamentos capazes de proporcionar maior sobrevida e mais bem-estar aos pacientes. “É um tumor que tem uma resposta de acordo com o nível de testosterona. Então, o primeiro passo é indicar medicações para o bloqueio hormonal. Nesses casos, consegue-se até regredir sintomas”, explica o oncologista clínico Eriberto de Queiroz Marques, presidente do Serviço de Quimioterapia de Pernambuco.
O médico salienta que, entre os sinais que o câncer de próstata avançado pode apresentar, estão dores ósseas localizadas na bacia ou na coluna. Vontade de urinar frequentemente à noite e fluxo urinário fraco ou interrompido também são relatados por alguns pacientes. “Quando o bloqueio hormonal, após certo período, não for mais tão eficaz, podem ser indicadas outras opções terapêuticas, como radioterapia e anticorpos (concebidos para atacar um alvo específico da doença)”, informa Eriberto.
O oncologista acrescenta que a idade em que o câncer de próstata se manifesta pode sugerir a maneira com que o tumor tende a evoluir. “A doença se mostra mais agressiva nos adultos jovens. Nessa faixa etária, o comportamento desse tipo de câncer geralmente é mais agressivo e tem ligação com a história familiar.” Outro detalhe destacado por Eriberto é que o tratamento efetivo dos tumores avançados pode ter sobrevida de cinco a dez anos. “Mesmo nessas situações, há casos que regridem.”
VIGILÂNCIA
Após o tratamento do câncer de próstata, os pacientes precisam fazer acompanhamento criterioso, o que inclui dosagem do PSA (sigla para antígeno prostático específico, uma substância produzida pelas células da próstata). “Quando é feita a cirurgia de retirada da próstata, o homem continua em avaliação a cada quatro ou seis meses, por exemplo. Se o PSA vai aumentando, pode ser sinal de que a doença está retornando. Cabe ao médico voltar ao bloqueio hormonal por um período de 12 a 24 meses. Nos casos de alto risco, isso é feito por 36 meses”, explica Eriberto. Para o oncologista, essa elevação do PSA pode acontecer nas situações em que, no momento da retirada da próstata, já existiam células capazes de reativar a doença.
O médico ainda alerta para a importância do diagnóstico precoce, essencial para não ser perder a janela de cura. “É importante não apenas o esclarecimento sobre o câncer de próstata, mas também o envolvimento de toda a sociedade, a fim de evitar a detecção tardia do tumor e aumentar a possibilidade de cura”, reforça Eriberto.
Fonte: Jornal do Commercio



