Quando o médico vira um amigo

Aos 28 anos, Guilherme Peres estava de bem com a vida. Casado, com um filho de um ano e esperando o segundo bebê, curtiu o carnaval feliz em 2016. No fim do mês, no entanto, percebeu gânglios no pescoço e resolveu procurar um médico. Somente dois eram visíveis, mas os exames apontaram que havia nada mais, nada menos que 14 nódulos no total. Mais visitas ao médico identificaram nele um tipo de câncer: o linfoma de Hodgkin, que se origina nos linfonodos do sistema linfático, responsável pela imunidade.

“Desesperei-me um pouco. Eu tinha 28 anos, era novo, trabalhador, recém-casado, pai. Passa um filme na cabeça da pessoa se você não sabe o que vai fazer”, diz, contando a primeira impressão. Vinte dias depois ele estava no Hospital Santa Joana Recife, dando início às sessões de quimioterapia.

Em seis meses, ele estava sem sinal da doença e havia ganhado, além da nova vida, um novo amigo: o doutor Evyo Maranhão, médico do Santa Joana Recife há 30 anos, e que ficou responsável pelo tratamento de Guilherme. “Toda vez que a pessoa trata um linfoma ou qualquer outra doença neoplásica, mesmo que a gente consiga um resultado de cura, existe necessidade de acompanhamento pós-tratamento. Isso faz com que a gente termine criando vínculo de amizade”, conta o médico. Guilherme criou verdadeira admiração. “No hospital, a gente falava muito mais de vinho do que do tratamento em si. Isso fez com que eu tivesse a leveza pra sair do hospital muito mais forte do que entrei”, relembra.

Guilherme já tinha percebido que os gânglios apareciam sempre que praticava exercícios físicos. Na vez que descobriu a doença, o nódulo surgiu após ele ser picado por um mosquito. “Sempre imaginei que fosse alguma veia por causa do esforço que fazia na academia”, fala. Doutor Evyo foi indicado tanto por amigos como por familiares, o que deu a Guilherme uma garantia de estar sendo tratado por alguém de confiança. “Ele foi fazendo a gente entender que não era um bicho de sete cabeças. As primeiras palavras deram a tranquilidade pra gente enfrentar a doença da melhor maneira possível. Ele teve o cuidado de explicar como seria o processo de tratamento, como a medicina tinha avançado e como o Hospital Santa Joana Recife era preparado”, continua.

É comum que os pacientes procurem tratamentos fora do estado por pensar que o Sul/Sudeste tem médicos e unidades de saúde mais preparados. Mas o Santa Joana Recife desmistifica toda essa imagem, segundo o próprio doutor Evyo. “Quando se tem um diagnóstico de uma doença mais séria, há sempre uma tendência a se pensar em ir pra centros mais desenvolvidos. Mas aqui, no Santa Joana Recife, a gente tem uma estrutura já com experiência de muitos anos pra realizar esses tipos de tratamento”, garantiu. Até porque ficar perto de casa, da família e dos amigos é um fator fundamental para a cura. “Isso traz um conforto e segurança muito maiores, pra realizar um tratamento que é muitas vezes doloroso, com efeitos colaterais desagradáveis.”

Em uma fase da vida tão importante e ao mesmo tempo tão assustadora, Guilherme sabia que não queria ficar longe de ninguém. “Eu tinha que me preparar para estar junto da minha família, que naquele momento foi fundamental, e cumprir as exigências que o médico pedia”, diz. E Guilherme foi um ótimo paciente. Doutor Evyo conta que ele fazia os exames periodicamente, era obediente e seguia à risca as recomendações.

Tanto que já nos primeiros meses, houve uma evidente regressão da doença. Aos três meses de quimioterapia, Guilherme abriu o envelope com o resultado do exame de imagem que tinha a primeira avaliação do organismo. Era aniversário dele, e toda a família estava junta. “O resultado não só foi excelente como deu que o organismo estava completamente livre de câncer”, revive. “É como se você estivesse renascendo de novo. Uma das melhores sensações da vida”.

Tomado por felicidade, Guilherme só tinha um pedido a fazer ao médico e amigo: “Eu me senti na obrigação de ligar para ele e agradecer. Fiz um pedido: doutor, por favor, me libere para eu tomar aquele vinho de que gosto tanto!”, explica, feliz. Foi liberado. As sessões de quimioterapia que se seguiram foram de manutenção.

Guilherme não se arrepende da escolha de ter se tratado no Recife, perto da família e com uma equipe que conseguia deixá-lo tranquilo para seguir. “Minha família não faltou uma sessão. Sempre meu pai, minha mãe e minha esposa comigo lá. E a equipe que cuida desse tipo de doença no Santa Joana Recife é a mais humana que eu poderia pedir. Me deram a tranquilidade que eu precisava. Lembro o nome de todo mundo lá”, e enumera os nomes dos enfermeiros, nutricionistas, plantonistas e todo mundo que fez parte do processo.

“Essa fase da minha vida foi uma fase que eu diria fundamental. Porque às vezes a gente se esquece do que é importante, se esquece de agradecer. Às vezes a gente reclama que acordou cedo em vez de agradecer porque acordou, pela força que tem, pelos amigos que tem, pela família maravilhosa. Eu diria que sou uma pessoa muito mais grata do que eu era, e isso faz co que eu seja uma pessoa muito melhor também. E o doutor Evyo, para mim, vai ser um amigo para a vida toda”, conclui.

Fonte: Jornal do Commercio

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