O boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde na quarta-feira (30) revelou um dado alarmante: o contágio do vírus HIV cresceu entre os homens na juventude nos últimos dez anos. O índice de mortalidade por Aids também subiu em boa parte do país, tendo, em Pernambuco, aumentado em 11% entre 2006 e 2015. No Dia Mundial de Luta Contra o HIV/Aids, dois jovens do Recife relatam suas vivências após receberem recentemente diagnóstico positivo para o HIV e refletem por que essa epidemia persiste. Respeitando o direito de sigilo das fontes, o G1 utilizou nomes fictícios a fim de preservar a identidade dos jovens, conforme solicitado por eles.
A conversa com Rafael, de 23 anos de idade, já começou como uma aula de biologia. Técnico de enfermagem numa clínica e estudante do curso superior de enfermagem, ele fala da ação do vírus HIV no organismo humano como se aquilo não lhe pertencesse. Mas pertence. Desde que viu seu diagnóstico dar positivo, em junho deste ano, Rafael parece estar aprendendo a falar de Aids ou do risco de adquiri-la como algo próximo e particular.
“Não importa o quão instruído você seja. Por mais que a gente saiba que o tratamento de HIV, hoje, te garante uma vida saudável e a carga viral chega a ficar indetectável, na hora que a gente descobre, a gente pensa que vai morrer. A gente espera por uma morte que nunca chega”, desabafou o estudante universitário.
A descoberta de Rafael teve início a partir de um fim. Uma garota com quem ele tinha se relacionado na adolescência morreu em janeiro deste ano. A mãe da jovem contou a Rafael que uma infecção bacteriana tinha tirado a vida da moça. “Ali eu já fiquei desconfiado. Mas eu não quis fazer o teste de imediato. Eu fiquei de janeiro até junho: ‘faço, não faço, faço, não faço’”, relata.
O vírus HIV é discreto, silencioso. Quando o jovem se deu conta de sua nova condição de saúde, ele já estava no limite. “No exame de CD4, o nível tem que estar acima de 350. O meu deu 70. As células CD4 são as mais importantes do sistema imunológico”, esclarece o profissional de saúde. Quando a contagem das células CD4 é baixa, a carga viral, isto é, a quantidade de HIV no sangue, é normalmente alta, o que é uma situação arriscada.
Font: G1



