A moderna cirurgia cardíaca teve início em Pernambuco no início da década de 60, quando o saudoso professor Luiz Tavares da Silva conseguiu reunir no antigo Instituto de Cardiologia da Universidade do Recife, localizado no Hospital Universitário Pedro II, um grupo de cardiologistas e cirurgiões jovens e bem treinados. Esse serviço teve vida curta, haja vista a crise que se abateu sobre as universidades brasileiras, a partir de 1964, culminando com a Reforma Universitária que extinguiu todos os institutos universitários de pesquisa.
O grupo de médicos do Instituto de Cardiologia tomou rumos diferentes: alguns seguiram o professor Luiz Tavares para o Hospital Oswaldo Cruz, onde ele fundou um centro cardiológico, embrião do atual Procape – outros fundaram as primeiras unidades de emergência cardiológica do Recife (Prontocor, Procárdio, Unicordis). Os quatro médicos, autores do presente artigo, tomaram um caminho mais arriscado e audacioso. Com financiamento bancário adquiriram todo o equipamento necessário à cirurgia cardíaca e a primeira aparelhagem de cinecoronariografia do Nordeste e se estabeleceram no Hospital Português.
A partir de 1970, nosso grupo representou o grande polo de desenvolvimento da cirurgia cardíaca em Pernambuco, tendo sido o ponto de partida para que o Real Hospital Português de Beneficência em Pernambuco se transformasse no maior centro da especialidade em todo o Norte e Nordeste do Brasil. Seguramente isso se deveu ao fato de termos levado para uma instituição não universitária, o espírito universitário. Não apenas mantivemos uma grande atividade assistencial, mas também atividades de ensino, pesquisa e extensão. Tivemos a sabedoria de aparar arestas e divergências e, sobretudo, de permitir que jovens cirurgiões assumissem sua própria independência e responsabilidade. Atualmente cinco equipes cirúrgicas trabalham harmoniosamente na instituição. A construção pelo Hospital Português em 2002, do primeiro hospital especializado em doenças do coração no Recife, o Real Hospital do Coração, foi um reconhecimento ao nosso esforço.
Fonte: Jornal do Commercio



