As doenças cardiovasculares sofrem influência direta do estresse e são as principais causas de morte no Brasil, com 350 mil óbitos, todos os anos. Entre os problemas mais comuns, estão arritmia e hipertensão arterial, que acometem 47,5 milhões de brasileiros. Diante do estresse extremo, é comum sentir palpitações – batimentos fora do ritmo. Se a alteração for confirmada por exames, recebe o nome de arritmia. A taquicardia, aceleração da frequência cardíaca normal – entre 60 e 100 batidas por minuto -, é outra consequência.
“Gente estressada fica ansiosa. Quem fuma passa a fumar mais. Da mesma forma com a bebida e a comida, o que gera aumento da gordura corporal, dos níveis de colesterol e glicose e afeta o sono, uma das coisas mais importantes para manter o sistema cardiovascular bem”, diz o diretor da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Celso Amodeo.
O estilo de vida do mecânico Juliano (nome fictício), 33 anos, mudou depois que foi demitido. Em um ano engordou 15 quilos e passou a sofrer de insônia. Ele era responsável pelo sustento da mulher e do filho. Hoje, o orçamento da casa é baseado na aposentadoria da mãe e, para tentar ajudar, ele trabalha como motorista do Uber. Durante a semana, roda até 12 horas por dia. Nos fins de semana, já chegou a 18 horas, que lhe renderam R$ 380 – fora o desconto de 25% da empresa. Mesmo assim, não consegue pagar o consórcio do carro, sua única fonte de renda atual.
No último Natal, começou a sentir dores de cabeça que não passavam. No médico, descobriu que a pressão estava em 18 por 12. Mesmo com os remédios, ela não baixa mais que 14 por 12. “Estou procurando, mas emprego não tem.”
O medo de uma doença grave é o principal motivo que leva as pessoas aos consultórios. A preocupação surge de palpitações no peito, falta de ar, batimento acelerado, suor frio. Sensação de morte. Os sintomas são, geralmente, relacionados a problemas cardíacos, mas podem ser a manifestação de um ataque do pânico, outra consequência do estresse.
“A confusão entre doenças psíquicas e problemas cardíacos é antiga. Todo cardiologista já atendeu pacientes achando que estavam tendo um infarto, arritmia. Mas, depois de uma investigação detalhada, fica claro que é psicossomático”, diz a cardiologista do Hospital das Clínicas da UFPE, Catarina Dias.
A pressão exagerada no trabalho levou Sônia (nome fictício), 39, com frequência ao cardiologista. Ela sofria de taquicardia e hipertensão, mas o problema não era resolvido. A situação no banco onde trabalhava piorou. Sônia teve um ataque de pânico. “Estava vendo TV. Infelizmente estava falando da crise que começou nos EUA. Comecei a achar que o jornalista estava saindo da televisão e queria me enforcar, comecei a visualizar aquilo, a gritar”, conta Sônia. Desde 2009, ela passa por tratamento psiquiátrico.
Fonte: Jornal do Commercio



