Epidemia é a maior desde os anos 1980

A epidemia de febre amarela que atinge o Brasil já supera em 40% a pior marca registrada da doença desde os anos 1980. Boletim divulgado ontem indica haver 117 casos confirmados da infecção, com 46 mortes. Em 1993, o pior ano da série histórica, foram 83 registros da doença. O número, no entanto, pode ser bem maior do que o revelado na estatística atual. Há ainda 623 casos em investigação pelas autoridades sanitárias – o equivalente a 80% do total de registros. Questionado, o Ministério da Saúde informou não haver prazo para que os exames sejam concluídos. A análise pode variar entre 24 horas e 1 mês.

Os exames ficam sob a responsabilidade dos laboratórios oficiais dos estados. Se há confirmação, amostras são enviadas para laboratórios de referência. “Há um vazio muito grande de informações. Não sabemos ao certo a dimensão do problema”, afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Dengue e Arboviroses, Artur Timerman. Ele questiona o fato de as análises demorarem tanto para serem concluídas. “É claro que há um problema”.

Todos os casos e mortes reportados até agora são de febre amarela silvestre. Não há no país, até o momento, indícios de casos da forma urbana da doença, quando o vírus é transmitido pelo Aedes aegypti. A última infecção do tipo aconteceu em 1942

Até o momento, especialistas não conseguiram identificar as causas de um número tão significativo de casos no país. Uma das hipóteses é de que tenha havido demora no reforço da vacinação em Minas. Há também a possibilidade de que o rompimento da barragem de Mariana possa ter agravado uma situação de desequilíbrio já existente na região. De acordo com a subsecretária de Minas, Márcia Farias, a médio prazo um estudo deverá ser feito na área.

INCAPACIDADE
O sanitarista da Fundação Oswaldo Cruz, Cláudio Maierovitch, disse ontem que o surto de febre amarela é em parte reflexo da incapacidade do sistema de saúde reagir rapidamente aos problemas. “Assistimos a um esgotamento da capacidade de respostas. As ações estão sendo executadas no limite”, diz o pesquisador, que esteve à frente da diretoria do departamento de Vigilância em Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde até o ano passado.

Maierovitch observa que há pelo menos dois anos alertas sobre o aumento do risco da retomada da circulação do vírus da febre amarela são encaminhados para autoridades locais. A recomendação era a de se reforçar a vacinação em áreas consideradas vulneráveis e a vigilância para um eventual aumento de morte de macacos – um indicativo de risco para surtos da doença.

“Um plano de contingência já estava pronto. Foi publicado no início do ano passado”, conta. Mesmo com as advertências, especialistas estimam que as medidas de contenção da febre amarela foram adotadas tardiamente. (Da redação com agências)

Fonte: Folha de Pernambuco

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