Ao fim do biênio 2016/2017, estima-se que mais de 15 mil pessoas a cada 100 mil habitantes serão diagnosticadas com câncer de boca no País. Os dados são do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Em Pernambuco, há uma média de 600 casos a cada 100 mil pessoas nesse período.
Para tentar diminuir estes números, há 18 anos foi criado o Programa de Combate ao Câncer de boca da Universidade de Pernambuco (UPE), coordenado pela professora e cirurgiã-dentista Aurora Karla Vidal. O núcleo funciona no Hospital Oswaldo Cruz, área central do Recife.
O câncer da cavidade oral está entre os mais comuns em cabeça e pescoço. “A maioria dos pacientes atendidos chega em estado avançado”, atesta a coordenadora médica do programa e cirurgiã do Centro de Oncologia do Huoc, Fátima Matos. “Trabalhamos com a odontologia para divulgar a doença, numa tentativa de diagnosticar precocemente, para que tenham maior oportunidade de cura”, pontua.
O principal objetivo do programa é educar a população sobre a importância da prevenção e do autoexame. Por mês, cerca de 300 pessoas são impactadas pelas ações. Os médicos e dentistas realizam palestras, atividades educativas e atendimentos gratuitos. A cada 15 dias são promovidas visitas a bairros e comunidades dos 63 municípios de Pernambuco com atividades do programa, além de atendimentos diários nas salas de espera da oncologia do Hospital Oswaldo Cruz.
“Destes 300 pacientes que atendemos por mês, pelo menos 15 com lesões suspeitas são encaminhadas para o ambulatório, e pelo menos três são casos de câncer”, explica Aurora.
A funcionária pública Maria Dulce de Brito, de 59 anos, recentemente descobriu uma lesão na boca. Ela foi até uma das ações do programa no bairro onde mora em Paulista, no Grande Recife. Lá, as residentes identificaram o problema e ela foi encaminhada ao Hospital Oswaldo Cruz. “Fui só para ver meus dentes mesmo, porque tenho bruxismo. Eu já tinha percebido essa lesão, doía um pouco no início, mas achei que não fosse nada sério. Na ação, nem precisei mostrar para a dentista, ela viu logo”, elogia. A biópsia para conclusão diagnóstica da lesão de Maria Dulce ainda será realizada.
Os estudantes e médicos colaboram com o programa de forma voluntária. Além das ações periódicas nos bairros, eles também fazem visitas rotineiras aos pacientes de oncologia do hospital, para evitar que as lesões bucais não prejudiquem ou atrasem o tratamento do mal em outros órgãos.
“É importante que a boca permita você se alimentar durante o tratamento, e que você não tenha desconforto. Às vezes o paciente não tem doença de boca, mas desenvolveu um processo inflamatório em decorrência do tratamento do câncer e deixa de se alimentar. Como ele vai enfrentar a própria doença, o tratamento, se ele desnutrir?”, questiona Aurora. O programa trabalha com crianças a partir dos sete anos de idade, para conscientizá-las desde cedo sobre os malefícios do fumo e do álcool. Estes são dois importantes fatores de risco para o câncer de boca, que abrange cavidade oral, lábios, gengiva, língua, palato (céu da boca), glândulas salivares e parte interna da bochecha.
Fonte: Jornal do Commercio



