O aumento do fluxo de turistas no Carnaval leva a Secretaria de Saúde do Recife a iniciar, na próxima semana, capacitação sobre febre amarela com os médicos que atendem nas policlínicas do Recife. “O objetivo é levar informações a esses profissionais de saúde sobre uma doença com a qual não estão acostumados a lidar no dia a dia. Turistas que apresentarem sintomas de febre amarela poderão procurar essas unidades de saúde”, diz o secretário de Saúde do Recife, Jailson Correia. Ontem o Brasil ultrapassou a marca de mil casos notificados de febre amarela este ano, segundo o Ministério da Saúde.
As orientações serão repassadas especialmente a quem trabalha nas policlínicas 24 horas, como a Amaury Coutinho (Campina do Barreto), Agamenon Magalhães (Afogados), Barros Lima (Casa Amarela) e Professor Arnaldo Marques (Ibura), além do Hospital Pediátrico Helena Moura (Tamarineira). A capacitação fortalece a ação educativa que inclui a distribuição de fôlderes, no Carnaval, sobre sinais e sintomas da febre amarela. O material, confeccionado pela Secretaria Municipal de Turismo, Esporte e Lazer, estará nos Centros de Atendimento ao Turista nos dias de Momo.
Diante do mapa de avanço da febre amarela no Brasil que levou a aumentar as áreas nas quais se exige vacinação, pesquisadores e autoridades de saúde não ignoram o risco de a doença voltar a ser transmitida pelo Aedes aegypti, o que não acontece desde 1942. A infestação de extensas áreas do Brasil pelo mosquito traz a possibilidade de restabelecimento do ciclo urbano de transmissão do vírus da febre amarela, conhecido como amarílico. “O surto atual de febre amarela tem se ampliado, e há o risco potencial de reurbanização, mas não é iminente. Estamos passando por uma fase de controle do vetor (Aedes), mas é bom lembrar que isso geralmente não é duradouro”, ressalta a infectologista Vera Magalhães, professora da UFPE.
Pernambuco continua sem casos. Ao ser levantada a hipótese de o ciclo urbano do vírus amarílico virar realidade, devido ao aumento do fluxo de pessoas na capital, Jailson Correia explica que o risco de reurbanização da doença exige mais do que casos pontuais pela cidade. “Precisaria de várias pessoas infectadas em circulação e também da capacidade de o Aedes transmitir febre amarela nos centros urbanos, o que não se vê no Brasil desde 1942. Mas não podemos afastar a possibilidade diante da situação (epidemia) que o Brasil passa.”
Fonte: Jornal do Commercio



