Os alvos são hospitais do Grande Recife que podem haver feito “pedaladas” nos recursos que deveriam haver sido usados na abertura de leitos de média e alta complexidade em Pernambuco. O MPF já expediu recomendação aos diretores de 13 hospitais e gestores de nove Organizações Sociais (OS) na área de saúde para sanarem possíveis irregularidades nesse sentido.
É esperado o acatamento da recomendação em dez dias. Na matemática da ilegalidade, o Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc) desviou R$ 6.119.745,36 da criação de vagas de internação para as despesas correntes da unidade, como material hospitalar, em 2009.
Foi verificado que apenas R$ 1.658.667,84 foram aplicados na abertura de 120 leitos. “Houve o repasse de R$ 9 milhões do Ministério da Saúde (MS) para a Secretaria Estadual de Saúde (SES), que repassou para o Huoc. Ao invés de o hospital gastar com a criação de 120 leitos, realizou despesas de custeio. Isso é muito sério em termos legais. É crime deixar de gastar um recurso destinado a determinada finalidade e aplicar em outra, além do que constitui improbidade administrativa”, afirmou. A procuradora ainda apontou que houve uma conivência da SES, uma vez que cabe a ela o controle, o acompanhamento e a liberação dos recursos. Como se passaram cinco anos dos atos houve prescrição das penalidades.
A expectativa é que o pente fino termine logo após a definição de cronograma, que pode sair da reunião de amanhã. A procuradora acredita que deve encontrar mais irregularidades. Ela ainda investiga repasses financeiros para as OS da saúde, que teriam tido um incremento de recursos superior a 500%, de 2009 e 2014, mesmo tendo sido relatados problemas de acesso de gestão e com pacientes. Ontem a temática das OS foi debatida na Assembleia Legislativa, com ausência do governo.
Fonte: Folha de Pernambuco



