Microcefalia: bebês sem leite especial

Mães de bebês com microcefalia estão com dificuldades para receber leite apropriado para o desenvolvimento de seus filhos. O problema afeta, principalmente, as crianças que se alimentam por sonda e dependem exclusivamente do produto para se nutrirem e ganhar peso. Mulheres da Região Metropolitana do Recife (RMR) denunciam que aguardam há meses a entrega. Outras dizem que a distribuição, feita pelas prefeituras, tem sido irregular.

O leite em falta é o Fortini, que tem propriedades de suplementação e é indicado para os bebês a partir do 1º ano de vida. Sem ele, a desnutrição virou quadro recorrente em alguns pequenos.

“Faz mais de oito meses que me cadastrei na Prefeitura do Recife para receber esse leite para minha filha, mas até hoje nada. Algumas pessoas estão ameaçando entrar na Justiça para conseguir, estou pensando em fazer o mesmo”, disse a dona de casa Jemina Nascimento, 38 anos, mãe de Luana Vitória, de um ano e cinco meses.. “Ela só se alimenta por sonda, e a médica prescreveu o produto para que não fique desnutrida de novo.”

A família mora no bairro de Areias, na zona Oeste. Sem as latas gratuitas a mãe tem se virado com ajuda de doações e feito economia em casa para garantir que a menina não fique sem o alimento. “Preciso lutar pela minha filha.” A criança consome cerca de 19 latas por mês e cada uma custa em média R$ 70.

Situação parecida vive Rosilene Ferreira, 39, mãe de Arthur, também de um ano e cinco meses. Moradora de Jaboatão dos Guararapes, ela reclama da falta de regularidade na entrega. “Estão intercalando os meses para recebermos. Sempre fica aquele suspense”, contou. O menino consome em média 13 latas por mês e também tem no Fortini a única fonte de alimentação por sonda. “Quando não recebo o Fortini, deixo de comprar coisas para casa. O suplemento representa o arroz, feijão e carne para o meu filho”, disse.

A Prefeitura de Jaboatão informou que herdou um débito de R$ 257 mil reais com quatro fornecedores do leite e que quitou a dívida. Agora, promete regularizar a situação junto as empresas e normalizar a distribuição às famílias. Hoje, 20 crianças com microcefalia recebem o leite especial na cidade.

Já a Prefeitura do Recife disse que os suplementos alimentares não fazem parte da lista municipal da assistência farmacêutica. Por isso, a aquisição deve ser analisada caso a caso, sendo necessária uma compra especial com a comprovação de critérios baseados em protocolo definido pelo município. Todos os casos de solicitações não padronizadas, afirmou, estão sendo avaliados para que o município possa definir o fornecimento.

Fonte: Folha de Pernambuco

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