“É inacreditável e injusto o que aconteceu, e eu não desejo isso para nenhuma família. Só Deus tem me dado força neste momento”, relata o coordenador de operações Genival Correia, 28 anos, marido da professora Deborah Laise Alves Pereira, 28, que morreu no último sábado, no Hospital Capibaribe, na Boa Vista (Centro do Recife), em decorrência de complicações no pós-parto. A unidade faz parte da rede Hapvida – operadora de saúde denunciada pela família de Deborah por negligência após ela dar à luz uma menina no Hospital Vasco Lucena, também na Boa Vista, três dias antes. A repercussão do caso levou o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) a instaurar inquérito para investigar a morte da professora. A previsão é de que, em 90 dias, seja apresentado relatório, arquivando o processo ou abrindo processo ético-profissional.
“Quando há um fato de grande comoção como este, é aberta uma sindicância ex-officio (estabelecida por iniciativa do próprio conselho, sem a obrigatoriedade de denúncia por parte de paciente e/ou parentes)”, esclarece o presidente do Cremepe, André Dubeux, que chama atenção para o fato de a obstetrícia despontar entre as três especialidades médicas que mais recebem queixas na entidade, atrás apenas das medicinas previdenciária e do trabalho. “As complicações relacionadas à obstetrícia são impactantes porque geram grande comoção. Imaginamos que a família está preparada para celebrar um nascimento. Quando o parto complica, vem um sentimento de revolta”, diz André Dubeux.
O médico informa que é a sindicância que vai investigar o teor do prontuário médico e convocar as partes envolvidas. “O laudo tanatoscópico feito pelo Instituto de Medicina Legal (IML) é que vai apontar a causa-morte e, dessa maneira, será possível ver se o óbito teve relação direta à ação (procedimentos a que a paciente foi submetida) ou omissão (falta de assistência necessitada pela paciente)”, acrescenta o presidente do Cremepe.
A entidade diz não ter realizado fiscalizações (das condições de funcionamento e assistência) no Hospital Capibaribe nem no Vasco Lucena, mas já fez visitas a outros hospitais da rede Hapvida. “Com a investigação em curso, o conselheiro sindicante pode solicitar fiscalização. Rotineiramente o Ministério Público de Pernambuco solicita fiscalização dos estabelecimentos de saúde em geral e, no fim do ano passado, recomendou esse tipo de visita às unidades do Hapvida, mas sem relação com queixas”, diz o secretário do Cremepe Sílvio Rodrigues.
Em nota, o Hapvida afirma que lamenta a perda de Déborah Alves e se solidariza com a dor da família. “Somos uma instituição que trabalha, continuamente, para salvar vidas. Por isso, dispomos de todos os recursos técnicos e humanos para promover a vida e a saúde”, enfatiza. O plano nega que houve negligência. “Nenhum procedimento foi negado. Disponibilizamos tudo que foi solicitado. Todos os profissionais médicos que acompanharam Déborah tinham a formação adequada, eram qualificados e experientes para atendê-la”, assegura. A empresa ainda informa que apura, “com toda seriedade e atenção”, os procedimentos médicos adotados. E que se forem identificadas falhas, as medidas necessárias serão tomadas.
Fonte: Jornal do Commercio



