Após se reunir com a diretora da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), Carissa Etienne, em Washington, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, disse que não haverá fracionamento das doses da vacina contra febre amarela no Brasil no cenário atual. Segundo o ministro, a avaliação do governo brasileiro de que não há necessidade agora de adicionar diluente às vacinas para que sejam multiplicadas as doses foi julgada “correta” pela Opas no encontro. “Chegou-se à conclusão de que a tendência é de não haver necessidade de fracionamento, mas fatos novos podem alterar essa recomendação”, disse Barros.
Segundo o ministro, os “fatos novos” que poderiam levar o governo a dividir as doses é se uma grande cidade entrar em área de recomendação de vacina, após apresentar um conjunto de fatores como pessoas com sintomas e confirmação de macacos mortos com suspeita de febre amarela.
Atualmente, a vacinação contra a doença é indicada como rotina em 3.529 municípios, de 19 estados e Distrito Federal. Desde o início do ano, houve reforço de vacinação em Minas Gerais, Espírito Santo e em algumas áreas de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia – locais onde foram registradas contaminações em humanos ou morte de macacos.
Barros, contudo, disse que o governo decidiu treinar as equipes para o fracionamento e ordenar a compra das seringas para o caso de precisar fazer a multiplicação das doses. “Adquirimos as seringas, estamos treinando o pessoal para o procedimento, já que é uma vacina subcutânea, e preparando um carimbo especial para a carteira [de vacinação].”
Segundo ele, o Brasil precisa de 20 milhões de doses, e hoje o País fabrica 6 milhões de doses por mês. “No fracionamento, teríamos em um mês a cobertura mais do que necessária para toda essa população. Isso não nos preocupa”, disse.
Certificação
Questionado se outros países, como os EUA, podem passar a exigir o certificado internacional de vacinação contra a febre amarela, o ministro disse que “seria natural” a solicitação para quem está nas áreas de recomendação de vacinação.
“Se as pessoas estão nas áreas de recomendação de vacinação, seria natural que fosse solicitado. E também, para o caso de estrangeiros que vão visitar áreas onde há recomendação de vacinação, é normal que se faça exigência”, disse.
Barros justificou ainda a decisão do governo, anunciada na última semana, de adotar a dose única para proteção contra febre amarela. Até hoje, o esquema de vacinação era de duas doses, sendo a segunda recomendada dez anos após a primeira.
Segundo ele, a mudança é uma recomendação de 2014 da Organização Mundial de Saúde (OMS) que só o Brasil não havia adotado ainda.
Fonte: Folha de Pernambuco



