No Brasil, só este ano, 159 mil pessoas morreram por doenças do coração (em 2016, foram 349.938 mil), segundo estimativa do “cardiômetro” da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Dentre essas enfermidades, a que mais provoca internações é a insuficiência cardíaca, quando o órgão é incapaz de bombear sangue suficiente na corrente sanguínea. Uma nova droga apresentada no 38° Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), que ocorre desde a última quinta-feira (15), promete dar mais sobrevida a esses pacientes.
O medicamento para a insuficiência cardíaca Entresto (princípio ativo sacubitril/valsartana), do laboratório Novartis, tem na sua composição um inibidor da neprilisina, enzima responsável pela degradação de peptídeos natriuréticos, entre eles o peptídeo natriurético cerebral (BNP).
O coração de quem tem insuficiência cardíaca produz muito BNP e essa substância funcionava até então como marcador da doença, ou seja, se tinha muito BNP no organismo, a gravidade era maior. Até pouco tempo, os médicos achavam que o peptídeo era danoso ao organismo, mas agora, com o Entresto, enxergaram benefícios na substância, como ajudar na diurese, diminuir a morte de células e dilatar as artérias (os vasos que levam sangue do coração para o corpo).
“Vai ser uma modificação na cultura médica do tratamento da insuficiência cardíaca. Hoje, o médico fala que BNP é ruim, agora vai entender que ele vai dar um remédio para aumentar o BNP. Isso vai ser a coqueluche do Congresso em relação a esta doença”, disse o cardiologista Fernando Costa, membro da Socesp e médico da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, que convidou o portal FolhaPE para participar do evento na capital paulista.
O cardiologista ponderou que o tratamento convencional, que contempla betabloqueadores, inibidor de enzima de conversão, diurético e vasodilatadores, é bom e modificou a vida de muita gente, mas o inibidor da neprilisina mostrou uma condição “excepcional” de melhora dos cardíacos.
A droga, que já é usada no exterior com recomendação nas diretrizes internacionais, foi registrada na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no último dia 8 de maio e deve ser comercializada a partir de outubro deste ano. “Esse medicamento não pode ser visto como salvador, porque existem muitas barreiras no Brasil em relação à insuficiência cardíaca – é preciso treinamento dos médicos, ter ambulatório específico e medicação adequada – mas vem para melhorar a capacidade desses pacientes e a sobrevida deles”, comentou.
Nova BP
A Beneficência Portuguesa de São Paulo – BP teve duas palestras na programação do congresso. A primeira foi com o médico Raul Dias dos Santos, cardiologista da BP, que falará das novas perspectivas sobre as dilipidemias na prevenção da aterosclerose. A segunda foi com Samia Mora, pesquisadora e professora da Harvard Medical School, sobre as contribuições e desafios futuros para a prevenção cardiovascular.
A reportagem fez um tour por edifícios da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo. A unidade de saúde tem 157 anos e, desde dezembro de 2016, o complexo hospitalar adotou a marca simplificada de BP e trabalha com novas unidades de negócio, entre elas o Hospital BP (especializado em alta complexidade), BP Hospital Filantrópico (para clientes do SUS) e o Hospital BP Mirante (serviço médico personalizado).
O destaque vai para o setor de Hemodinâmica da BP, construído com equipamentos de ponta distribuídos em oito salas para a realização de procedimentos cardiológicos, diagnósticos e terapêuticos. São 51 leitos de recuperação com assistência de equipe multiprofissional em tempo integral, sob coordenação geral do médico José Armando Mangione. A estrutura permite a realização de 10 mil intervenções ao ano, sendo considerado o maior centro de referência em hemodinâmica na América Latina.
Entre as principais doenças tratadas estão insuficiência coronariana, cardiopatias congênitas e estruturais em crianças e adultos e procedimentos durante a gravidez em fetos diagnosticados com defeitos cardíacos. Em média, são efetuados 600 cateterismos cardíacos diagnósticos por mês, 200 angioplastias com implante de stent por mês.
Fonte; Folha de Pernambuco



