Pesquisas têm analisado o comportamento dos quatros mais frequentes tipos de câncer humano. Foram estudados os tumores de mama, próstata, tiróide e melanoma. Observou-se que o número de casos destas patologias vem aumentando. No entanto, a mortalidade por elas não tem se elevado. O aumento da incidência foi maior nos países de melhor economia. No entanto, a mortalidade foi semelhante entre eles. Este tipo de comportamento ocorreu não só quando se analisou o conjunto das malignidades, como também cada uma delas individualmente. Estes dados sugerem que alguns dos diagnósticos de tumor, nos que fizeram mais exames, tenham sido falhos.
A principal causa da redução da mortalidade, muito provavelmente, ocorreu por conta dos melhores recursos terapêuticos atualmente disponíveis. Outras pesquisas também têm sugerido que muitas investigações na população não trazem benefícios e até pelo contrário. Muitos exames, mais procedimentos e muitos deles acarretando efeitos colaterais graves. A dosagem do PSA, substância produzida pela próstata, era recomendada ser realizada anualmente após os quarenta anos de idade. Vários estudos demonstraram que esta conduta não trouxe quaisquer benefícios. Muito pelo contrário.
A mortalidade foi semelhante e em alguns estudos foi até menor no grupo que não fez o exame. Além disto, por conta da elevação do PSA vários procedimentos foram realizados desnecessariamente algumas vezes e como resultado sequelas graves ocorreram. Disfunção erétil, incontinência urinária, lesões intestinais entre elas. Por conta disto, a conduta recomendada pela sociedade americana de urologia é só realizá-los nos homens após os 50 anos e uma avaliação a cada 2-3 anos até os 75 anos de idade. Também se modificou a conduta quanto à mamografia por conta de erros na sua interpretação, o que motivou a realização de procedimentos onerosos e mutilantes.
Este tipo de conduta não é recomendável para os que tem mais fatores de risco, como referência de casos na família. Um outro procedimento que precisa ser modificado é a realização da ultrassonografia da tiróide em todas as mulheres. Isto tem acarretado inúmeros procedimentos custosos e agressivos. Mais de 70% das mulheres têm nódulos nesta glândula. E quando este tipo de problema é apenas detectável por este exame, esta patologia não tem repercussão clínica. Em suma, o exame só deve ser feito quando se palpa no exame físico um nódulo na tiroide. Estamos necessitando diminuir o número de exames dos mais ricos e aumentar para os que tem indicação de realizá-los e não tem como fazê-los.
Fonte: Folha de Pernambuco



