Bebês com zika têm mutirão de cirurgia ortopédica

Pernambuco terá o primeiro mutirão de cirurgias ortopédicas para as crianças da síndrome congênita do zika (SCZ). A iniciativa é encabeçada pela Secretaria Estadual de Saúde (SES) e deve atender meninos e meninas que apresentam algum dano esquelético relacionado à má-formação congênita ocasionada pelo vírus. O Hospital Maria Lucinda, na Zona Norte do Recife, foi escolhido como referência para os procedimentos, que devem ser realizados entre novembro e dezembro. O investimento é de R$ 703,2 mil. Estudos já identificaram que alguns bebês nascem com alteração congênita nos ossos e articulações, condição conhecida como artrogripose. Outras crianças perto dos 2 anos de idade também têm sido diagnosticadas com luxação de quadril (deslocamento do quadril).

A coordenadora do Núcleo de Apoio às Famílias de Crianças da síndrome congênita do zika da SES, Laura Patriota, explicou que a necessidade de correções cirúrgicas nos bebês foi identificada após duas jornadas de consultas clínicas realizadas em janeiro e julho deste ano no Hospital Mestre Vitalino, em Caruaru, Agreste do Estado. “Começamos a identificar essa demanda nestas ocasiões, mas outras crianças que já eram atendidas por ortopedistas na rotina também apresentavam as mesmas necessidades”, comentou. Até agora 36 crianças com necessidades cirúrgicas foram identificadas entre as 436 que tiveram a síndrome confirmada entre 2015 e a semana 40 de 2017. O mutirão, no entanto, abrirá 40 vagas para operação.

Os bebês, além de fazerem a cirurgia no Maria Lucinda, também farão o pré-operatório na unidade como forma de garantir uma assistência linear e rápida até a cirurgia.
O ortopedista Epitácio Rolim, um dos primeiros a descrever as complicações ortopédicas nas crianças acometidas pelo zika, participará do mutirão. De acordo com ele, chama atenção situações de crianças com a SZC que nasceram sem alterações ósseas, mas que começaram a desenvolver quadros de luxação do quadril aos longos dos primeiros meses de vida. Esse dano é complicado e leva a falta de mobilidade, postura e dor. Nas suas estatísticas, cerca de 20% dos bebês confirmados para o zika tem luxação de quadril. “Isso acontece pelo quadro neurológico em si. E é semelhante ao que acontece com os pacientes de paralisia cerebral. Na paralisia cerebral alguns músculos ficam mais fortes do que outros. É como duas pessoas puxando uma corda. A mais forte vence. No quadril da criança com a síndrome existe uma tendência do músculo que fecha o quadril ser mais forte que o músculo de abrir a perninha. É isso que com o tempo vai levando a luxação do quadril”, explicou.

O médico destacou que a intervenção cirúrgica, nesses casos, libera o tendão. “Geralmente, esses quadros têm ocorrido em crianças com quadro neurológico mais grave. O objetivo principal (da operação) é melhorar a qualidade de vida e evitar dor principalmente. A luxação do quadril leva a dor, dificuldade de higienização da criança, além de reduzir a mobilidade, provocar fraturas e danos à coluna secundaria, entre outros vários problemas”, disse.

Fonte: Folha de Pernambuco

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