Ministério da Saúde anunciou ontem investimento de R$ 25,9 milhões no combate à hanseníase e à esquistossomose. Estado receberá a segunda maior verba: R$ 3,07 milhões
Ministério da Saúde liberou ontem R$ 25,9 milhões para ações de controle das chamadas doenças negligenciadas. O reforço será direcionado a projetos de vigilância epidemiológica – promoção, prevenção e controle – nos 26 Estados brasileiros e no Distrito Federal. O objetivo é reduzir os índices brasileiros de hanseníase, esquistossomose, tracoma e a geo-helmintíase. Pernambuco é o segundo Estado mais beneficiado do País. Irá receber R$ 3,07 milhões, atrás somente do Maranhão, que terá R$ 3,386 milhões.
De acordo com a diretora geral de Controle de Doenças e Agravos da Secretaria Estadual de Saúde (SES), Rosilene Hans, o incremento na verba se deu graças ao mapeamento que o governo estadual fez dos municípios que necessitam de atendimento prioritário. “Desde o início do ano passado, através do Programa Sanar, estamos desenvolvendo ações de combate e tratamento a essas doenças em todo o Estado”, explica Rosilene.
Em Pernambuco, a verba do Ministério da Saúde será direcionada aos 108 municípios onde os esforços da Secretaria de Saúde vem sendo concentrados nos últimos meses. “Promovemos através do Estado ações como os consultórios nas praças, para identificar os casos positivos das doenças na população e, a partir dessa informação, rastrear possíveis contaminações no restante da família ou vizinhos”, contou a diretora. Numa das últimas ações da SES, realizada na Praça da Independência, no Centro do Recife, foram identificados 41 casos de hanseníase em 400 pessoas examinadas. “Essa verba vai nos ajudar a dar continuidade no Projeto Sanar e intensificar as ações nas cidades que apresentam mais casos das doenças”, completa Rosilene.
De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil é destaque mundial na produção de medicamentos para assistência a doenças negligenciadas, por meio de parcerias entre laboratórios públicos e privados. O investimento em laboratórios públicos produtores saltou de R$ 8,8 milhões em 2000 para mais de R$ 54 milhões em 2011. Entretanto, o diretor Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch, reconheceu que o País “ainda está aquém do desejável na busca de casos de hanseníase”.
Ainda ontem, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que as doenças negligenciadas tropicais atingem mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo. Só o Brasil concentra aproximadamente 15% dos casos de hanseníase, sendo superado somente pela Índia, com cerca de 50%. “Nenhum país conseguiu zerar completamente os casos, mas que deixe de ser essa expressão tão flagrante de descaso e discriminação”, afirmou Maierovitch.
Fonte: NE10



