Ministro da Saúde diz que vai deixar cargo, mas não estabelece data

Ricardo Barros (PP) deve deixar o Ministério da Saúde para disputar o cargo de deputado federal nas eleições deste ano

O ministro da saúde, Ricardo Barros, anunciou nesta quarta-feira (4) que vai deixar o ministério para disputar o cargo de deputado federal nas eleições deste ano. Ele, porém, não informou o dia em que irá pedir exoneração. Ele fez o anúncio durante uma entrevista coletiva no Ministério da Saúde, quando foi anunciado o balanço sobre a execução orçamentária da pasta durante o ano de 2017.

“Eu saio para disputar a eleição, vou concorrer a eleição de deputado federal e fico no Ministério até a data que o presidente me solicitar desde que seja até 7 de abril, porque eu preciso me descompatibilizar. Se o presidente pedir, o meu cargo está sempre a disposição”, afirmou o ministro.

O dia 7 de abril é o prazo final de descompatibilização dos ministros para que estejam aptos para disputar os cargos de presidente da República, vice-presidente, governador, vice-governador, senador e deputado federal, estadual ou distrital nas eleições de outubro.

Ricardo Barros protagonizou embates com a bancada pernambucana em torno da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás). O ministro pretendia levar a tecnologia de processamento de plasma para uma nova fábrica em Maringá, Paraná, seu reduto eleitoral. O Ministério Público Federal em Pernambuco (MPF/PE) chegou a ajuizar uma ação civil pública solicitando à Justiça Federal o afastamento cautelar do ministro pelo seu interesse político com a medida.

Uma Frente Parlamentar Mista em Defesa da Hemobrás foi criada com a participação de parlamentares pernambucanos e paraibanos, buscando evitar a transferência da tecnologia e a manutenção da fábrica em Pernambuco. A presidência ficou com deputado João Fernando Coutinho (PSB) e as vices compartilhadas entre nomes oposicionistas, como Augusto Coutinho (SD) e o senador Humberto Costa (PT). Mais de 200 parlamentares assinaram um documento para a criação da Frente.

No início de agosto, Barros afirmou à Rádio Jornal que não iria entrar no “bairrismo” para tratar da questão da Hemobrás. Ele classificou a fábrica de Goiana é um “esqueleto” e que a produção está abaixo do esperado. “Espero que Pernambuco aceite terminar esse esqueleto que está aí, fazer funcionar, trazer receita para o Estado, arrecadar impostos e dar trabalho, função, utilidade aos funcionários que estão aí hoje concursados para trabalharem em estruturas que não estão funcionando até hoje”, disse.

O MPF chegou a expediu três recomendações à Presidência da República, à Casa Civil da Presidência e ao Ministério da Saúde para, segundo o órgão, “impedir a adoção de medidas sem embasamento científico, técnico e legal relativas a mudanças na companhia”. O órgão recomendou para que não fossem aprovadas ou nomeadas para cargos de gestão na Hemobrás ou Ministério da Saúde qualquer pessoa com vínculo direto ou indireto com empresas privadas interessadas na transferência de tecnologia de processamento de material plasmático ou de produção de hemoderivados.

Ministros
Dois ministros do governo do presidente Michel Temer (PMDB) deixaram os seus cargos recentemente. Ronaldo Nogueira (PTB-RS), do Trabalho, pediu demissão no dia 27 de dezembro. Na carta de demissão apresentada ao presidente, ele afirmou que deixa o cargo, pois vai se candidatar nas eleições. Nogueira volta à Câmara dos Deputados, onde retomará o mandato pelo PTB do Rio Grande do Sul. Ele comandava o Ministério do Trabalho desde maio de 2016.

Marcos Pereira (PRB), da Indústria e Comércio Exterior, também pediu exoneração. Em carta enviada ao presidente Temer no Palácio do Planalto, o ex-ministro disse que está deixando a pasta para se dedicar a questões pessoais e partidárias. Além disso, Marcos, que é presidente nacional do PRB, analisa disputar uma vaga na Câmara este ano.

Fonte: Jornal do Commercio

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