Uma semana após vir à tona as denúncias de estupros supostamente praticados por um médico ortopedista de 35 anos na Unidade de Pronto Antedimento (UPA) da Imbiribeira, o número de possíveis vítimas não para de crescer. Nessa terça-feira (27), pelo menos mais duas mulheres foram à delegacia para prestar queixa contra o suspeito. Um dos abusos teria acontecido em maio do ano passado.
Com os novos registros, o número de possíveis vítimas pode ter chegado a sete. Policiais civis que investigam o caso também estão indo na casa de testemunhas para colher depoimentos e reforçar as provas contra o suspeito.
De acordo com informações colhidas pelo Ronda JC, o médico ortopedista já foi intimado a prestar depoimento na Delegacia da Mulher, em Santo Amaro. A expectativa é de que ele se apresente até o final desta semana. Caso contrário, pode ser considerado foragido.
O chefe da Polícia Civil de Pernambuco, Joselito Kehrle, afirmou nessa segunda-feira (26) que o profissional de saúde tem características de ser um serial, ou seja, aquele que pratica crimes em série. “Há grandes possibilidades de que estejamos diante de ‘serial’, um criminoso que age repetidamente. O perfil dele foge muito do usual, porque geralmente esses criminosos são pessoas próximas às vítimas. Por ele ser médico, acreditamos que ele aproveitava a posição e a possibilidade de contato físico para praticar a violência contra as vítimas. É importante que elas procurem a Delegacia da Mulher para denunciar. Equipes vão estar preparadas para recebê-las”, afirmou Kehrle.
A primeira vítima a procurar a Delegacia da Mulher foi uma jovem de 18 anos, que teria sido estuprada na manhã da quarta-feira (21). No dia seguinte, uma universitária de 32 anos tomou coragem de procurar a polícia após a repercussão do caso. O perfil das outras vítimas não foi revelado.
O Ronda JC revelou nessa terça-feira (27) que o suspeito também responde a processos na Justiça por supostos erros médicos. Um dos casos ocorreu em 2016. Um policial militar afirma que um procedimento no punho direito dele foi realizado de maneira incorreta. Foi necessária uma segunda cirurgia – feita por outro profissional – para consertar o erro.
O policial militar precisou passar pelo procedimento porque sofreu um acidente de bicicleta ao cair em um buraco na Avenida Norte, no Recife. Ele quebrou o punho direito e, após 15 dias de espera, passou pela cirurgia. “No entanto, houve um erro grotesco por parte do médico. O punho do PM ficou em um ângulo de 45 graus. Ele ficou sentindo fortes dores, até que passou por uma nova cirurgia. Mesmo assim, ficou sem os movimentos do braço”, afirmou o advogado do policial, Carlos Eduardo Mota.
O processo tramita na 4ª Vara Cível da Capital. Segundo o advogado, o caso está na fase de perícias que devem confirmar se realmente houve erro médico no primeiro procedimento.
Outro processo que tem o médico como réu também tramita na 31ª Vara Cível da Capital. A assessoria do Tribunal de Justiça de Pernambuco afirmou que esse segundo processo foi concluído em primeiro grau e que o recurso ainda está sendo julgado. A assessoria não informou detalhes do caso.
PERFIL DO MÉDICO
O homem suspeito de estupro na UPA da Imbiribeira é médico há nove anos. Ele se formou pela Universidade do Rio Grande do Norte e especializou-se na área de ortopedia e traumatologia, com ênfase em cirurgias. Além da UPA, ele também trabalha em clínicas particulares. O nome do profissional está sendo mantido em sigilo pela Polícia Civil até que as investigações sejam concluídas e seja comprovado se ele praticou ou não os abusos sexuais.
O médico foi afastado das funções, por determinação da direção da UPA da Imbiribeira. O Conselho Regional de Medicina (Cremepe) também confirmou que abriu sindicância para investigar a conduta do profissional, que pode perder o direito de exercer a profissão.
Fonte: Ronda JC



