Residentes denunciam situação de caos no HGV. Faltam remédios e insumos. Situação no HGV faz com que dezenas de cirurgias sejam suspensas por mês
Os médicos residentes do Hospital Getúlio Vargas (HGV), no Recife, decidiram paralisar as atividades por tempo indeterminado. A mobilização é para cobrar do governo pernambucano melhorias para a unidade, localizada no bairro do Cordeiro, na Zona Oeste do Recife.
Segundo os residentes (médicos em formação de especialização), em média 130 cirurgias estão deixando de ser realizadas por mês no Hospital Getúlio Vargas devido a deficiências de insumos, equipamentos e recursos humanos. A decisão por cruzar os braços aconteceu na manhã desta segunda-feira (17) depois de votação da categoria. Nesta terça (18), o grupo planeja um protesto às 7h. Uma nova assembleia dos médicos está marcada para a próxima sexta-feira (21), às 11h, para avaliar se os profissionais retomam ou não as atividades.
“Isso é crônico no hospital, mas, no último mês, piorou muito”, comentou um dos médicos, que preferiu não ser identificado por medo de represálias, sobre os déficits de insumo que incidem diretamente na quantidade de cirurgias que o HGV consegue fazer.
Cada especialidade do hospital (cirurgia geral, ortopedia, urologia, anestesiologia, cirurgia vascular e neurocirurgia) tem demandas específicas, mas, de forma geral, os médicos residentes entregaram na última sexta-feira (14) pauta coletiva das reivindicações do HGV. O documento reivindicava que, em 72 horas, o centro de materiais e esterilização (CME) e suas autoclaves estivessem em funcionamento pelo para a realização das operações marcadas diariamente.
O prazo de 72h também era exigido para a regularidade de antibióticos, fios de sutura, luvas, escovas de assepsia, filmes para impressão de tomografia e radiografia, contraste iodado, meios de cultura, sonda nasoenteral, bolsa de colostomia, termômetro, entre outros insumos, incluindo vestimentas para o bloco cirúrgico.
O grupo ainda pediu a abertura das 14 salas do bloco cirúrgico em até 14 dias dentro do padrão preconizado e que, em sete dias, sejam feitas manutenções e consertos em elevadores, ar-condicionado dos setores e até nos monitores e desfibriladores. Isso sem falar de liberação de mais verbas para o hospital já que a unidade é uma referência para o ensino.
Os pacientes corroboraram a situação critica da unidade. A aposentada Lídia Gomes, 65, caiu em casa na sexta-feira passada e quebrou fêmur. Foi levada ao HGV pelo filho, Geraldo Gomes, 36. Até esta segunda não havia sido operada. “De acordo com o hospital, eles estão esperando vaga para fazer a cirurgia. Eu nunca vi minha mãe desse jeito, delirando e tudo”, afirmou o filho. Uma acompanhante de um homem de 34 anos com problema no fígado afirmou que ele precisa de uma operação urgente, mas que também não foi realizada. “O hospital fala que não fizeram a cirurgia porque está sem material”, disse.
A Direção do HGV informou que as cirurgias de emergência estavam ocorrendo normalmente durante todo o fim de semana, avisando que entre a última sexta-feira (14) e o domingo (16) foram realizados 75 procedimentos na unidade. A pasta ressaltou que as cirurgias eletivas não ocorrem nos finais de semana.
A direção esclareceu ainda que a unidade está abastecida dos insumos necessários para as cirurgias e que as faltas são pontuais. A direção ainda explicou que por causa do curto-circuito no ar-condicionado do Centro de Material e Esterilização, no dia 8, foi necessário suspender cirurgias enquanto toda a área era higienizada, “evitando, assim, qualquer risco para os pacientes”, e que os casos de urgência foram referenciados para outras unidades da rede. A situação do CME já foi normalizada.
Sobre a paralisação dos residentes, a direção do HGV “vem dialogando com os representantes da categoria para resolver a situação e, com isso, não prejudicar a assistência aos usuários”. O hospital informou que os procedimentos cirúrgicos são realizados pelos médicos preceptores e por residentes e, nessa segunda, os preceptores realizaram as operações dentro da capacidade da equipe. Segundo o HGV, até as 12h desta segunda (17), foram nove procedimentos. A gestão do hospital anunciou também que, nos próximos dias, será entregue a nova emergência da unidade, com 100 leitos.
Fonte: Folha de Pernambuco



