Com o movimento cada vez mais intenso, a greve dos médicos do Recife segue mostrando as precariedades latentes nos postos de saúde da capital pernambucana. Desta vez, quase 40 profissionais realizaram uma visita à Policlínica Agamenon Magalhães, no bairro de Afogados, e constataram um cenário de verdadeiro descaso por parte da gestão da Prefeitura. Foram encontrados diversos pacientes nos corredores, tomando soro e recebendo medicação por falta de leitos no local – tanto que um paciente está internado na área de repouso feminino.
Além desse problema citado, há mofo por todas as paredes do complexo, o que aumenta o risco de piora dos pacientes, que sofrem também com banheiros sem condição digna de utilização, sem maçaneta, e com mau cheiro. Na policlínica tem ainda rachaduras profundas nas estruturas físicas, buraco na sala de repouso feminino, sala de odontologia interditada, refrigeração inadequada – possibilitando a proliferação de outras enfermidades.
Não bastando esse caos, a escala também é defasada. No momento da visita, por exemplo, apenas dois profissionais estavam de plantão. Esse conjunto de desrespeito com usuários e trabalhadores da saúde será motivo de um pedido do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) de uma fiscalização, em caráter de urgência, ao Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe).
“É lamentável ver tudo isso e saber que a realidade poderia ser bem diferente. Não podemos perder a capacidade de nos indignar e achar isso normal, porque não é, nunca vai ser, e essa será sempre a nossa bandeira. Vamos seguir forte com o movimento, esse movimento é nosso e da população, que reforça sempre apoio ao pleito. Esperamos que o prefeito tenha sensibilidade e realmente cumpra o que a PCR vem divulgando na imprensa, informando estar aberta ao diálogo. Queremos e estamos atrás desse diálogo urgente”, ressalta o presidente do Simepe, Tadeu Calheiros.
Ao final do encontro, os médicos deram um abraço simbólico na Policlínica Agamenon Magalhães, em ato de protesto pela ausência de melhorias e condições dignas.




