SAÚDE PÚBLICA HGV tem hoje o dobro do número de leitos de 2014, mas superlotação e longa espera continuam
Criticado pela superlotação no dia a dia, o Hospital Getúlio Vargas (HGV), no bairro do Cordeiro, Zona Oeste do Recife, ganhou ontem 28 novos leitos. Divididos para as alas vermelha e amarela, as vagas são destinadas aos pacientes que chegam em condições mais graves. Também houve melhorias na subestação de energia. Apesar dos investimentos feitos pelo governo do Estado – orçados em R$ 13,6 milhões – pacientes e acompanhantes denunciam que dezenas de macas continuam obstruindo a passagem nos corredores principais. A Secretaria de Saúde não autoriza o acesso da imprensa a essas áreas.
Com a inauguração, ontem, o HGV passa a ter a partir de agora 100 leitos na emergência. Antes das reformas, que tiveram início em 2014 e, após paralisação, foram retomadas em 2017, o hospital só contava com 50 leitos. Em setembro, o número cresceu para 72. Mensalmente, a unidade, referência em traumato-ortopedia, atende cerca de 2.500 pacientes. O número de leitos aumenta, mas os problemas da unidade vão além disso. Apesar de estarem contentes com a disponibilidade de novos espaços, pacientes relatam dificuldades, como superlotação, e se queixam da falta de atendimento humanizado. Na manhã de ontem, por exemplo, havia 147 pacientes para os 100 leitos. “Isso realmente vai melhorar um pouco o hospital, mas ainda falta muita coisa. Não tem lençol nas macas e parte do atendimento não é bom. O povo está jogado nos corredores, tem muita gente aqui”, conta o agricultor José Milton Carvalho, acompanhante de um paciente que aguarda por um transplante há três meses, em entrevista à TV Jornal.
O diretor do HGV, Bartolomeu Nascimento, reconhece que a superlotação é um problema sério na unidade e alega ser uma dificuldade que afeta todos os hospitais públicos. “Sempre existem excessos. Isso é um problema que não é só do Getúlio Vargas. A rede de saúde como um todo sofre isso”, tenta justificar o diretor da unidade.
Os custos da reforma, com obras e equipamentos, chegaram a R$ 16,6 milhões, sendo R$ 3 milhões referentes a recursos federais. O investimento, segundo o governador Paulo Câmara, que também esteve presente na inauguração, foi feito para melhorar o atendimento. “Realizamos um planejamento. Nós tínhamos 50 leitos na emergência e esse número está sendo ampliado para 100, buscando atender melhor a população, buscando dar condições de resolutividade e mais humanização. A gente também teve a preocupação de aumentar essa área em espaço físico”, frisou o governador. De acordo com o secretário estadual de Saúde, André Longo, a reforma faz parte de uma série de esforços para sanar a superlotação que atinge as unidades do Estado. “A gente tem um plano que está sendo estruturado para ampliar a resolutividade do interior do Estado e menos pessoas de outros municípios terem que ser encaminhadas para atendimento na capital, além de ampliar os leitos de retaguarda para que possamos dar vazão a esta grande demanda nas emergências”, pontuou, ressaltando que parte da superlotação, inclusive no Getúlio Vargas, se deve ao aumento de acidentes de trânsito e à crise econômica, que fez com que mais de 200 mil pernambucanos perdessem seus planos de saúde e passassem a recorrer à rede pública.
“O HGV é minha salvação porque fica perto de casa, porque meu marido perdeu o emprego e a gente não tem mais plano (de saúde). Mas é preciso ter muito mais paciência e rezar para conseguir atendimento”, relata a auxiliar de contabilidade Marta dos Santos, moradora da Caxangá, e que no mês passado viu o filho de 17 anos penar nos corredores depois de ser atropelado por uma moto. “Ele ficou uns três dias na maca e só fez cirurgia 15 dias depois. Por sorte, está bem.”
Caravana do Cremepe avalia investimentos

Água Preta, na Mata Sul do Estado, Bezerros, no Agreste, e Paulista, no Grande Recife, estão entre as cidades com pior investimento em saúde percapita em 2017. O levantamento é Conselho Federal de Medicina (CFM). Com base nos resultados, o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) começou ontem a visitar as 12 Gerências Regionais de Saúde do Estado para avaliar como anda a atenção básica de saúde em Pernambuco. Garanhuns, São Bento do Una e Bezerros, todas no Agreste,
são as primeiras paradas do grupo.
O CFM e levou em consideração a soma dos impostos, transferências de valores da União, do Estado e verba dos próprios municípios. Entre as cidades com o pior desempenho, Paulista registrou investimento de R$115,82 por munícipe. Em comparação com outros municípios da RMR, o valor destoa muito. Ipojuca, por exemplo, que investiu R$ 1.399,25 no mesmo ano. Água Preta registrou R$116,24 e Bezerros R$ 112,15. Segundo a secretária de Saúde de Paulista, Fabiana Bernart, parte do resultado se deve à baixa arrecadação municipal. Déficit de investimentos do Estado também contribuem para o valor. “Hoje, grande parte do gasto é voltado para a folha de pagamento e há dificuldade de garantir verba para outros investimentos, como equipamentos, por exemplo. Para tentar suprir, a administração conseguiu recursos com emendas parlamentares, mas o déficit do Estado na saúde acaba dificultando melhorias”, destaca.
A atenção básica é uma preocupação, diz o Cremepe, lembrando que, na falta de serviços nas unidades do interior, pacientes são transferidos e lotam hospitais do Recife. Ontem, primeiro dia de caravana, foram visitadas as Geres 4 e 5, que teve bons resultados em relação ao serviço. A preocupação do Cremepe é com a administração da verba. “Em 2018 o Ministério da Saúde liberou R$130 bilhões para os mais de cinco mil municípios do País, mas apenas R$108 bilhões foram aplicados. A má gestão é notória, muitas pessoas que ocupam os cargos na administração da saúde não fazem o dever de casa. É preciso que prefeitos e autoridades saibam gerir esses locais para que os serviços aconteçam”, frisa o presidente do Cremepe, Mário Fernando Lins.
Fonte: Jornal do Commercio






