Refúgio para doentes do coração

Uma praça sem nome e abandonada no bairro de Santo Amaro, área central do Recife, encontrou padrinhos dispostos a assumir sua manutenção. O Pronto-Socorro Cardiológico de Pernambuco (Procape) e a Associação dos Portadores de Doença de Chagas e Insuficiência Cardíaca do Estado negociam com a prefeitura a adoção da área verde, na Rua dos Palmares. Mesmo sem infraestrutura, o lugar já serve de refúgio para pacientes vindos do interior em busca de atendimento no Procape.

“A área tem essa função social, muitos pacientes vêm de outras cidades, saem de casa às 3h e usam o lugar para descansar. Funcionários do Procape aproveitam o espaço na pausa do trabalho”, comenta o médico Wilson de Oliveira Júnior, coordenador do ambulatório de doença de Chagas do pronto-socorro e um dos defensores da adoção da praça. O logradouro fica na frente do hospital e da sede da associação, inaugurada há um ano e meio.

De acordo com o médico, a proposta que será apresentada à prefeitura prevê a colocação de brinquedos num trecho livre da praça, além de gradil, iluminação e recuperação das calçadas e da grama. O gradil daria mais segurança aos usuários, por causa do trânsito na região, justifica Wilson de Oliveira. “Entendemos que a iniciativa vem propiciar ferramenta para o programa de humanização dos hospitais universitários da UPE”, declara.

O ambulatório existe há 25 anos e atende mais de 1,5 mil pacientes de chagas e insuficiência cardíaca. A praça tem sete árvores e dois canteiros cercados, que funcionam como banco para o público. É nele que Luiz Monteiro dos Santos, paciente do Procape há três anos, senta e aguarda pelo ônibus que o levará de volta para casa, em Limoeiro, município do Agreste de Pernambuco. “A adoção é importante, precisamos desse apoio, a praça necessita reparos”, diz ele.

Maria das Neves da Silva Amorim mora no município de Iati, também no Agreste do Estado, e acompanha o filho de 13 anos no Procape, até três vezes por mês. “Seria muito bom para os pacientes se a praça tivesse brinquedos e grade de proteção, principalmente para as crianças. A espera pelo ônibus é grande”, informa a mulher.

A coordenadora do Programa Adote o Verde da Prefeitura do Recife, Jucineide Andrade, disse que a adoção do logradouro é possível e o assunto será discutido com o Procape e a associação. Como a prefeitura está empenhada na reforma de 111 praças da cidade (e essa não faz parte da lista), é provável que os adotantes sejam convidados a dividir com o município a recuperação do lugar, adianta Jucineide.

“Apesar de a área não ter nome, é uma praça”, diz ela. No decorrer da negociação, uma engenheira da prefeitura deverá visitar o logradouro com os interessados na adoção, para definir o que pode ser feito no local. “Com a vistoria, vamos avaliar se há condições de botar brinquedos, porque o espaço é pequeno”, pondera.

O gradil de segurança, segundo ela, pode ser instalado, mas o custo seria do adotante. “Estamos à disposição para conversar.” O Programa Adote o Verde foi criado em 1995 e até agora registra 126 adoções de praças, parques, canteiro central de avenidas e outras áreas vegetadas, por empresas privadas e órgãos públicos. Há mais dez em processo de apadrinhamento.

Fonte: Jornal do Commercio

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