A direção do Sindmed-Acre cumpriu agenda neste final de semana, sexta-feira (27) e sábado (28), em Brasileia, onde visitaram o Hospital Wildy Viana e conheceram de perto as dificuldades dos médicos ao trabalharem sem equipamentos e estrutura necessária para o desempenho de suas funções.
As condições de trabalho médico no hospital contraria completamente os princípios fundamentais do Código de Ética Médica que diz que, afim de exercer a medicina com honra e dignidade, o médico deve ter boas condições de trabalho e ser remunerado de forma justa.
O trabalho médico realizado na unidade hospitalar beira a precariedade dada a falta de condições para que os profissionais exerçam suas funções.
Falta de médicos especialistas a insumos e gesso para imobilizar pacientes. Até escalpe falta na unidade e, na maioria das vezes para não parar o atendimento, o médico compra do próprio bolso o que falta para continuar seu atendimento.
O que está escrito no Código de Ética Médica é até animador, mas está muito longe de ser a realidade dos médicos da fronteira do Acre com a Bolívia.
Os médicos de Brasileia afirmam não receber nem boas condições de trabalho e nem remuneração justa. Com escala reduzida, sem especialistas e com aparelho de raio-x quebrado há 60 dias, os médicos enfrentam o desafio diário de viver sob pressão para exercer a medicina.
Médicos precisam de condições para trabalhar, diz Murilo Batista
A imensa estrutura física do hospital Wildy Viana contrasta com a falta de condições de trabalho dos médicos e uma das médicas conta que eles se desdobram para conseguirem dar conta do trabalho. Ela também conta que existe imensa limitação quanto à realização de diagnóstico. Ela frisa que até existe um aparelho de ultrassonografia no hospital, mas não há profissional para manuseá-lo.
Para o presidente do Sindmed-Acre, doutor Murilo Batista, é fundamental que a Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) se aproxime mais da realidade local dos hospitais do interior para que veja as condições de trabalho do profissional médico.
“É falta de material, são equipamentos quebrados, salas de cirurgias que nunca foram inauguradas, falta de insumos e equipamentos precários que facultam o diagnóstico médico”, diz.
Outro médico que presta serviço na unidade hospitalar diz que, embora seja clínico-geral, acaba atendendo além da sua carga horária e de suas funções. Ele diz que os médicos se mobilizam como podem para dar conta de atender toda a demanda que ‘deságua’ no Hospital Wildy Viana.
12 mil metros quadrados e o descaso com o médico
O Hospital Wildy Viana, projetado no governo Tião Viana, foi planejado para ser um hospital de ponta, de média complexidade e ser uma referência na região da fronteira. Pena que toda esta descrição ficou restrita às matérias divulgadas pelo governo passado. A realidade do hospital, que possui 12 mil metros quadrados e onde foi feito um investimento de R$ 80 milhões, de acordo com dados dos governo passado, é bem outra.
Os longos corredores e suas salas modernas, porém vazias de funcionamento, tornaram-se símbolo de desalento para os médicos que ali trabalham. A atual gestão a exemplo da passada não equipou o hospital e nem reforçou a equipe médica.
“Estrutura tem, mas falta o principal que é material de trabalho e mais mão de obra”, conta outra médica da unidade, que guiou a equipe em uma visita pelo imenso hospital.
Unidade subutilizada, médicos abarrotados de serviço e poucas condições de trabalho
O pomposo hospital é um ‘elefante branco’ esperando sua utilidade. A unidade foi projetada para atender uma população de mais de 100 mil pessoas de toda a região do Alto Acre, que compreende os municípios de Brasileia, Epitaciolândia, Xapuri e Assis Brasil, e também dos países vizinhos como Peru e Bolívia, que procuram atendimento do lado brasileiro da fronteira.
O hospital regional foi projetado para dispor de ambulatório, urgência e emergência, leitos de terapia semi-intensiva, repouso dos funcionários, observação, radioimagenologia, laboratório, enfermaria, administração, refeitório, cozinha, apoio e serviços, medicamentos, abrigo de resíduos, centro obstétrico, centro cirúrgico e repouso, entre outros setores.
Foi projetado para ter também 91 leitos da unidade que estão assim divididos: dez de urgência e emergência, cinco no semi-intensivo, dez de observação, 61 de enfermarias (22 adultos, 22 leitos infantis e 17 pediátricos) e cinco no centro obstétrico. Isso tudo ficou no papel, a realidade é outra.
São apenas 45 leitos, enfermarias e emergências misturadas, sem condições de realizar duas cirurgias simultâneas sequer e com uma equipe tão reduzida que tem que atender emergência, realizar cirurgias, passar visita e atender obstetrícia e pediatria.
“Já teve mais de 5 mil atendimentos por mês e nos viramos como dá”, diz um dos médicos.
Relatório do Sindmed
Nos dois dias que a equipe do Sindimed esteve na unidade hospitalar colheu depoimentos, fotografias e irá preparar relatório que será encaminhado à Sesacre com os casos pontuais e também para o Ministério Público, especificamente para o promotor de Justiça, Gláucio Oshiro, titular da Promotoria Especializada de Defesa da Saúde.
“Precisamos buscar ajuda em todos os lugares. Precisamos nos mobilizar e conseguir melhores condições de trabalho aos nossos médicos, até porque isso implica em boa oferta de atendimento à nossa população”, diz Murilo Batista.
Fonte: Assessoria de Comunicação do Sindicato dos Médicos do Acre (Sinmed-AC)



