Clínica está sujeita a multa e interdição

Estrutura física inadequada, processo de esterilização de materiais precário e contaminação da água são apontados pela Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) como os principais fatores responsáveis pela infecção que causou a perda da visão de quatro pacientes submetidas a cirurgias de catarata, no fim de março deste ano. Em coletiva de imprensa na manhã de ontem, a agência apresentou o relatório final com 54 irregularidades encontradas em todos os setores do Instituto da Visão de Pernambuco, em Caruaru, Agreste do Estado. “Nos próximos 60 dias, vamos analisar o processo e definir que medidas serão tomadas, o que pode ser desde uma advertência até a interdição definitiva do instituto, mais a aplicação de multa, cujo valor pode variar de R$ 2 mil a R$ 1,5 milhão”, afirmou o gerente-geral da Apevisa, Jaime Brito.

A Apevisa vai, agora, encaminhar o documento para os órgãos que instauraram processo para apurar o caso, entre eles o Conselho Regional de Medicina (Cremepe), que abriu investigação sobre a conduta médica dos profissionais. Para identificar os fatores que causaram as infecções, a agência analisou prontuários médicos, entrevistou médicos e funcionários da clínica, além das pacientes que perderam a visão, e recolheu amostras.

“O material coletado das quatro pacientes que ficaram cegas apresentaram contaminação por bactéria do mesmo grupo da encontrada nas amostras de água recolhidas no ambiente de procedimentos cirúrgicos do Instituto”, disse Jaime Brito. Segundo ele, a clínica particular já apresentou a defesa sobre o fato.

Brito também afirmou que a clínica já apresentou um plano de correção das irregularidades e manifestou interesse em retomar as atividades do bloco cirúrgico, interditado, desde 30 de março, por um período de 90 dias. “Além da reforma estrutural, será necessário readequar os procedimentos e os recursos humanos. Quando isso for feito, faremos uma vistoria e, se tiver condições, faremos a desinterdição”, disse o gerente-geral.

A assessoria de imprensa do Instituto da Visão de Pernambuco informou que a clínica prestou esclarecimentos e colaborou com as investigações. Também assegurou assistência aos doentes prejudicados.

As licenças de funcionamento da clínica eram emitidas pela Vigilância Sanitária de Caruaru. De acordo com o diretor do órgão, Paulo Florêncio, a última vistoria para liberação de licença aconteceu há mais de um ano e ainda não foi renovada. “Dependendo da irregularidade, não há necessidade de interdição. Nas últimas inspeções de rotina, não foram identificadas falhas graves. Com o caso de infecção o bloco cirúrgico foi interditado para que outros pacientes não fossem expostos, mas os representantes do Instituto já demonstraram interesse em corrigir os problemas e retomar os trabalhos.”

Sobre a investigação criminal do caso, o delegado Leonardo Gama informou, por meio de nota, que até o momento, nenhuma das vítimas procurou a Delegacia de Caruaru para prestar queixa sobre o fato.

Fonte: Jornal do Commercio

Compartilhe:

Deixe um comentário

Fique por dentro

Notícias relacionadas