Sesa diz que encontrou anticorpos de Covid-19 em amostra de sangue do ES de dezembro de 2019

Em função disso, há indícios de que o vírus já circulava no estado antes de a China anunciar o primeiro caso da doença, em 31 de dezembro de 2019.

Um estudo realizado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) do Espírito Santo revelou a existência de um possível caso Covid-19 no estado já no final de 2019.

Com isso, há indícios de que o vírus já estivesse circulando no estado antes de a doença ter sido anunciada oficialmente pelo governo da China, em 31 de dezembro de 2020.

De acordo com o secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes, o estudo foi realizado em um total de 7.370 amostras de soro do Laboratório Central (Lacen) que haviam sido coletadas entre os dias 1º de dezembro de 2019 e 30 de junho de 2020 de pessoas que apresentaram sintomas suspeitos de dengue e de chikungunya.

Uma portaria do governo estadual determinou que todas essas amostras também fossem testadas para a detecção do coronavírus.

Até antes da realização do estudo do governo estadual, o primeiro caso de Covid-19 foi divulgado pelo Governo do Espírito Santo em 5 de março de 2020.

No entanto, de acordo com o diretor do Lacen, Rodrigo Ribeiro, uma das amostras analisadas na pesquisa e que apresentou resultado positivo para a doença é datada de 18 de dezembro de 2019.

Como a análise é feita por meio da identificação dos anticorpos IgG, que só aparecem dias após a pessoa ter sido infectada, tudo indica que o coronavírus já estivesse no corpo da paciente ainda antes do dia 18. A cidade onde a amostra foi coletada não foi revelada, pois trata-se de um dado sigiloso da pesquisa.

“O IgG leva pelo menos 20 dias para positivar. Então, possivelmente, essa pessoa foi exposta ao vírus no final de novembro ou no início de dezembro de 2019”, explicou Rodrigo.

A nova descoberta leva à necessidade de que mais estudos sejam desenvolvidos para indicar como o coronavírus surgiu e se espalhou, além de descartar a possibilidade de exames falso-positivos.

A Sesa busca agora uma parceria com o Ministério da Saúde para a realização de novas análises.

O Ministério da Saúde informou em nota que foi notificado pela Secretaria de Saúde do Espírito Santo sobre o estudo.

“Entretanto, a orientação do Ministério da Saúde foi para que as investigações fossem aprofundadas, com a realização de investigações epidemiológicas de campo e laboratoriais. A recomendação da pasta é que amostras de materiais biológicos e sequenciamento do genoma desses pacientes fossem encaminhados para a Fiocruz no Rio de Janeiro, que é laboratório de referência nacional para Covid-19, para avaliação e realização de novas análises. A confirmação por exame do tipo RT-PCR se faz necessária pois é o método padrão ouro para confirmação de infecção pelo SARS-CoV2. Somente com a confirmação pelo laboratório de referência e o aprofundamento dos estudos epidemiológicos é que o Ministério da Saúde poderá confirmar, ou não, se esses casos realmente foram positivos para SARS-CoV2”, diz um trecho da nota.

A pasta informou ainda que irá apoiar a secretaria capixaba na realização do aprofundamento das investigações.

O estudo foi publicado pela revista PLOS ONE, publicação on-line.

Dengue e chikungunya
O mesmo estudo realizado pelo Governo do Espírito Santo aponta ainda que a Covid-19 pode ocorrer simultaneamente em pacientes com dengue ou chikungunya.

Do total das mais de 7,3 mil amostras estudadas, 210 (2,85%) apresentaram anticorpos para a Covid-19, o que indica que os pacientes tiveram a doença.

Além disso, desses 210 casos positivos para a Covid-19, 79 ( 37,6%) também foram positivos ou para a dengue ou para a chikungunya, provando que tais doenças podem se manifestar simultaneamente.

O caso positivo para Covid-19 que ocorreu em 18 de dezembro foi um desses, já que a paciente em questão apresentou não só anticorpos para o coronavírus como também para chikungunya.

Para o diretor do Lacen, Rodrigo Ribeiro Rodrigues, este resultado indica a possibilidade de que mais casos da Covid-19 não tenham sido descobertos, contribuindo para que a doença se espalhasse.

“Mesmo com o aparecimento e confirmação em solo brasileiro da doença em 26 de fevereiro e a decretação de pandemia em março de 2020, muito provavelmente muitos casos de Covid continuaram sendo perdidos entre pacientes com suspeita de arbovirose. Isso levanta uma conclusão que a ocorrência de surtos concomitantes de dengue e chikungunya pode dificultar o diagnóstico da Covid-19. E esses casos não diagnosticados precocemente podem ter contribuído para essa rápida expansão da doença no país, como foi observado entre março, abril e maio de 2020”, pontuou Rodrigo.

Fonte: G1

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