Caos segue na emergência pediátrica do Hospital Barão de Lucena

Situação se agravou, também, na maternidade do Hospital Agamenon Magalhães. São os efeitos indiretos da covid-19 sobre a saúde

A situação segue crítica na emergência pediátrica do Hospital Barão de Lucena (HBL), unidade da rede pública estadual localizada na Iputinga, Zona Oeste do Recife. Segundo denúncia de médicos, validada pelo sindicato da categoria em Pernambuco, a superlotação das últimas semanas piorou no fim de semana. Um bebê teria falecido na unidade à espera de vaga na UTI. Faltam equipamentos de ventilação e medicamentos. Na maternidade do Hospital Agamenon Magalhães (HAM), referência para gestantes de risco, a situação também está crítica.

Segundo o Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), no plantão deste domingo (14/3), 33 crianças estavam internadas na emergência do HBL e, dessas, cinco estavam na área vermelha e outras quatro estavam entubadas. “O sistema está estrangulado. Não há mais espaço na emergência pediátrica do HBL. Os pacientes estão sendo internados na sala de nebulização. Faltam medicamentos e equipamentos de ventilação porque já extrapolou a capacidade da unidade”, alerta a presidente do Simepe, Claudia Beatriz Andrade.

Na maternidade do Hospital Agamenon Magalhães (HAM) a superlotação é semelhante. Segundo o Simepe, no espaço para 17 gestantes, neste domingo havia 53. “É uma situação absurda. Algo precisa ser feito e logo. Estamos falando de serviços que atendem grupos vulneráveis. No caso da maternidade do HAM, por exemplo, são atendidas mulheres com pressão alta, insuciência renal, ou seja, uma gestão de alto risco. E que ainda expõe a equipe médica, os recém nascidos e todos os acompanhantes. Como vamos falar de regras sanitárias dessa forma?”, reforçou Claudia Beatriz Andrade.

EFEITO INDIRETO DA COVID
A sobrecarga da covid-19 sobre o sistema de saúde, com os municípios e o Estado sendo obrigados a redirecionar a força para o atendimento às vítimas do vírus, é a principal causa dos problemas. Segundo o Simepe, nem há estrutura para tratar a covid-19 e ainda há a desestruturação do pouco que se tinha para a pediatria e a obstetrícia.

“A desassistência dos municípios ao pré-natal das gestantes é uma das causas. As cidades estão destinando suas estruturas para a covid e esses atendimentos estão sendo colocados em segundo plano. O que acontece? As pessoas estão indo para as unidades do Estado. Veja o exemplo da maternidade do Imip, que realizava 400 partos mês e agora está restrita à covid. Por isso, estamos apelando aos municípios de forma geral para que assistam seus pacientes pediátricos nas UPAs e no Serviço de Pronto Atendimento (SPA). E, ao Estado, que agilize os exames de covid e retome alguns atendimentos”, diz a presidente do Simepe.

POSICIONAMENTO DO ESTADO
“A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) esclarece que tem monitorado permanentemente os indicadores de doenças respiratórias em crianças, atuando para expandir a rede de assistência e garantir o atendimento dos usuários. Atualmente, Pernambuco conta com 143 leitos voltados para bebês e crianças acometidas com síndrome respiratória aguda grave (SRAG), sendo 51 leitos de UTI. As estratégias para ampliação de leitos para crianças têm sido implementadas desde o final do ano passado, com abertura de vagas e reestruturação da rede, além de diálogo permanente com as entidades de classe sobre o cenário epidemiológico do novo coronavírus.

Já nos próximos dias, a rede de saúde será reforçada com 10 leitos de enfermaria e 10 de UTI pediátrica no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip). Ao longo das próximas semanas, ainda serão abertos novos leitos pediátricos no município de Araripina, no Sertão de Pernambuco. Além disso, está aberto edital de contratualização de leitos na rede privada com vagas também voltadas para crianças.

Em relação às denúncias sobre o Hospital Barão de Lucena (HBL), a direção da unidade reconhece a demanda de pacientes pediátricos na emergência, mas ressalta que, mesmo diante do atual contexto da pandemia da Covid-19 em todo o País, não nega atendimento aos seus usuários e que têm acolhido todos os pacientes admitidos no serviço. Vale destacar também que a maioria dos casos que chegaram à unidade hospitalar nas últimas semanas está relacionado a viroses sazonais desse período do ano. Para ter uma ideia, dos 164 pacientes pediátricos com sintomas
respiratórios atendidos no mês de fevereiro, apenas 6,5% teve resultado conrmado para Covid-19. Nas últimas 24h, foram realizados 29 atendimentos na emergência pediátrica do serviço.

A direção da unidade esclarece, ainda, que não procede a informação de que pacientes não estariam sendo atendidos por falta de medicação, ou de funcionários. O serviço conta com todos os insumos necessários para assistência aos usuários e, em caso de faltas pontuais, as medicações são substituídas de acordo com protocolo médico já estabelecido. A escala de médicos e demais prossionais da equipe multidisciplinar dos plantões também está completa.

Atualmente, a emergência pediátrica conta com 19 leitos voltados exclusivamente para pacientes que estão com sintomas respiratórios e precisam car em observação. O hospital conta, ainda, com 28 leitos de internamento para estes pacientes, sendo 20 vagas de enfermaria e 8 de terapia intensiva pediátrica (Covid). Além disso, a unidade também dispõe de leitos de retaguarda em uma de suas enfermarias para acolher essas crianças.

Por m, a direção do HBL informa que a média de pacientes atendidos por mês na emergência pediátrica é de 500 crianças. Grande parte dos casos poderiam ser tratados nos serviços de baixa e média complexidade das redes municipais. E, buscando diminuir esse uxo na referência estadual, a equipe do HBL tem trabalhado para melhorar a rotatividade dos leitos, agilizando a realização de exames e procedimentos para posterior alta médica, quando são casos leves; e se necessário, fazendo o encaminhamento para outros serviços da rede de assistência.”

Fonte: Jornal do Commercio

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