Claudia Beatriz Andrade
Presidente do Simepe (gestão de 2019 e 2022)
A história se escreve com alguns médicos que dedicaram parte de suas vidas, conciliando esta atividade com o exercício profissional, para lutar e ajudar a categoria no estado de Pernambuco. São fatos e acontecimentos que iniciaram no dia 14 de outubro de 1931, quando 33 médicos, dentre eles, Barros Lima, Edgar Altino, Ageu Magalhães, Geraldo Andrade e Jorge Lobo, fundaram o Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), que teve como primeiro presidente o professor João Marques.
O Simepe é o segundo sindicato de medicina mais antigo do Brasil e, ao longo de sua existência, a entidade enfrentou várias crises políticas, econômicas e sociais. Sempre lutando pelos interesses da categoria, além de defender o serviço público e melhorias das condições de trabalho, o sindicato busca continuamente a valorização da classe médica e os princípios da medicina, pautada pela relação médico-paciente e sua autonomia.
É importante ressaltar que o Simepe viveu 21 anos de ditadura militar. Na época, os militares desapropriaram as instalações do sindicato – prédio que ficava em frente ao Parque 13 de Maio, onde a entidade funcionava. Todos os documentos, e o único birô, foram jogados na rua. Nessa ocasião, o sindicato foi acolhido na Sociedade de Medicina, onde passou a atuar. É necessário também referenciar a importância dos advogados Geraldo Neves e Élio Siqueira para a representação classista, em meio à década de 1960, quando entraram na Justiça, em favor dos médicos.
Após a ditadura, o Simepe passou por uma fase de dificuldades, quando no ano de 1992 uma junta governativa assumiu as rédeas da gestão no decorrer de seis meses. A partir de então, registramos sucessões de direções que vêm impulsionando a entidade até os dias atuais, atingindo reconhecimento para além do estado e sendo referência, por suas lutas e conquistas, a nível nacional.
Em sua constante batalha, a entidade vivenciou grandes conquistas. Uma delas foi em 2007, quando a categoria, desmotivada por longos anos sem aumento salarial, fez registro do maior movimento médico do estado. Médicos pediram demissão, e após dupla negociação com o governo, cativou expressivo reajuste salarial, ganhos na gratificação de plantão, além de um Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV) exclusivo para a categoria.
É inegável essa longa caminhada que completa 90 anos nesta data, em um momento em que vivenciamos a maior crise sanitária do planeta. São 18 meses de superação para todos os médicos que, mostrando o seu compromisso social, venceram seus medos, buscando conhecimento em tempo real, para zelar pelos seus pacientes. A categoria viveu angústias e conquistas diárias; sentiu todos os frutos na pele. Uma classe que, com muita maestria e força enorme, salvou muitas vidas e amenizou muito sofrimento.
O Simepe esteve presente diariamente com os médicos do estado, cobrando Equipamentos de Proteção Individual, vínculos formais, proteção para os grupos de risco, além de lutar contra a redução salarial, acolhendo o médico. Durante esta luta, o sindicato lamentou a perda de vários colegas/amigos, destacando o dr. Assuero Gomes, diretor da entidade, que faleceu devido à Covid-19.
Apesar das dificuldades, seguimos como guarda avançada e o Simepe continua sendo símbolo de luta, resistência e referência em todo o país, construindo movimentos reivindicatórios, atos públicos, manifestações, greves e paralisações que mantiveram sua fidelidade ao conceito de ser um sindicato independente, autônomo e combativo. Nunca ficamos calados nem omissos aos desmandos e ao sucateamento da saúde pública, bem como ao descaso e abandono dos hospitais públicos, das maternidades, postos de saúde, Upas e Upinhas.
O Simepe é um jovem guerreiro que não foge da luta, não descansa e está sempre atento em sua renovação constante. É com a união e participação dos médicos e médicas que seguiremos com força, coragem e vigor, empunhando a bandeira simepiana rumo ao nosso centenário.
Eu, Claudia Beatriz, parabenizo a todos os médicos do estado por fazerem do sindicato este grande instrumento de luta e agradeço imensamente a oportunidade de contribuir com essa história, sendo a terceira mulher presidente da entidade ao longo dos seus 90 anos de existência.



