A história se escreve com alguns médicos que dedicaram parte de suas vidas, conciliando esta atividade com o exercício profissional, para lutar e ajudar a categoria no estado de Pernambuco. São fatos e acontecimentos, que iniciaram no dia 14 de outubro de 1931, quando 33 médicos, dentre eles, Barros Lima, Edgar Altino, Ageu Magalhães, Geraldo Andrade e Jorge Lobo, fundaram o Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), e teve como primeiro presidente, o professor João Marques.
O Simepe é o segundo sindicato de medicina do Brasil e ao longo de sua existência, a entidade enfrentou várias crises políticas, econômicas e sociais, buscando continuamente a valorização da classe médica e os princípios da medicina. O Simepe viveu 21 anos de ditadura militar, onde os militares desapropriaram as instalações do sindicato e nesta ocasião, a entidade foi acolhida na Sociedade de Medicina, onde passou a atuar. Ainda referencio a importância dos advogados Geraldo Neves e Élio Siqueira para a representação classista.
Após a ditadura, o Simepe passou por dificuldades, quando no ano de 1992 uma junta governativa assumiu a gestão no decorrer de seis meses. Desde então, registramos direções que vêm impulsionando a entidade até os dias atuais, sendo referência a nível nacional. Em sua constante batalha, a entidade vivenciou grandes conquistas. Uma delas foi em 2007, quando a categoria, desmotivada por longos anos sem aumento salarial, fez registro do maior movimento médico do estado. A classe cativou expressivo reajuste salarial, ganhos na gratificação de plantão, além de um PCCV exclusivo para a categoria.
É inegável essa longa caminhada que completa 90 anos nesta data, em um momento em que vivenciamos a maior crise sanitária do planeta. São 18 meses de superação para todos os médicos que, mostrando o seu compromisso social, venceram seus medos, buscando sempre o cuidado dos pacientes. Uma classe que com maestria salvou vidas e amenizou sofrimentos. Durante esta luta, o sindicato lamentou a perda de vários colegas/amigos, destacando o dr. Assuero Gomes, diretor da entidade, que faleceu devido a Covid-19.
O Simepe é um jovem guerreiro que não foge da luta, não descansa e está sempre atento em sua renovação constante. Parabenizo a todos por fazerem do sindicato este instrumento de luta e pela oportunidade de contribuir com essa história, sendo a terceira mulher presidente da entidade ao longo dos seus 90 anos de existência.
*Presidente do Simepe (gestão de 2019 e 2022)




