Pesquisa mapeia preconceito contra trabalhadores mais velhos no Brasil

As organizações reconhecem que são etaristas e 80% não dispõem de política de combate à discriminação por idade em seus processos seletivos

Na quinta-feira, no MaturiFest 2022, evento voltado para o trabalho e empreendedorismo maduro, será divulgada a pesquisa “Por que pessoas 50+ não são consideradas como força de trabalho em um país que envelhece?”. A abordagem faz todo sentido porque os números gritam: 26% da população brasileira passou dos 50 anos e, em 2040, 57% da mão de obra terá mais de 45 anos. Realizado pela EY Brasil e pela plataforma Maturi, o levantamento ouviu 191 empresas de 13 setores, entre dezembro de 2021 e janeiro deste ano, sendo que 43% eram de grande porte. O setor de serviços foi o de maior peso (25%), seguido por saúde (16%) e tecnologia (15%).

Embora o discurso corporativo aponte o assunto como relevante, a pesquisa mostrou que 33% não praticam nenhuma ação voltada ao tema. Mesmo as que estão dando os primeiros passos neste sentido costumam realizar ações pontuais, como palestras de conscientização e a criação de “grupos de afinidade” para discutir a questão. Boa parte ainda se vale da chamada aposentadoria compulsória, abrindo mão do capital humano sênior no ambiente de trabalho.

Para 42% das companhias ouvidas, diversidade, equidade e inclusão não são prioridades na estratégia do negócio. Entre as que já adotaram práticas nessa área, os principais temas endereçados são gênero e étnico/racial – ambos com 75% de citações. Apenas 45% se dedicam à questão etária/geracional. Para um país que envelhece rapidamente, é muito pouco. A propósito: amanhã, estarei num painel no dia de abertura da MaturiFest, às 18h, discutindo etarismo e trabalho no Brasil e em Portugal. Na roda de conversa, José Carreira, criador do movimento Stop Idadismo, e Michelle Queiroz, fundadora da Rede Longevidade.

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