
A Caravana nas Comunidades, realizada pelo Cremepe e Simepe, chegou ao seu destino final na manhã de hoje (15.06). Os bairros visitados foram Guabiraba e Bola na Rede.
O ponto de chegada na comunidade de Guabiraba foi a Unidade de Saúde da Família do Distrito III. As equipes de fiscalização, pesquisa de rua e da oficina de pintura, a partir dalí, tomaram seus rumos e o trabalho foi iniciado.
Os fiscais ouviram os usuários da Unidade, que há pouco mais de 2 meses se encontra em reforma e por esta razão está funcionando em apenas parte da estrutura.
As duas equipes médicas se revezam no atendimento à população. Em função das obras na estrutura, há apenas uma sala disponível para o atendimento de cerca de 5 mil moradores por mês. O espaço dedicado à realizar curativos é dividido também para a coleta de sangue. As visitas domiciliares foram itensificadas.
De acordo com o fiscal da Caravana, Otávio Valença, há pontos positivos e negativos colocados pelos usuários. “O atendimento ambulatorial é visto com bons olhos entre os moradores, que afirmam ser bem atendidos pelos médicos, no entanto a estrutura da unidade é inadequada e repercute em reclamações com respeito às condições de espera, o ambiente é sem ventilação e também há a dificuldade na marcação de consultas”, afirmou.
Otávio identificou ainda que há dificuldade na dispensação de medicamentos. “Muitas vezes falta o remédio receitado e os pacientes precisam comprar fora”, registrou.
Marinês Pereira, de 23 anos, destacou as dificuldades encontradas na unidade mas reforçou o diagnóstico observado pelos fiscais no tocante ao atendimento da equipe. “Sempre quando eu venho sou bem atendida”, assegurou Marinês.
A equipe de rua conversou com os moradores e ouviu relatos sobre um problema que tem se alastrado e que foi observado em todas as comunidades visitadas: as drogas.
Não foi identificada nenhuma política voltada para o combate do uso de entorpecente e os comunitários se queixam da violência imposta pelos usuários e traficantes que rondam a localidade.
Outro quesito reclamado pela população é a falta de orçamento para conter as barreiras que cercam o bairro e colocam em risco a vida dos moradores, que em períodos de chuva, temem pela queda destas encostas. Além disso falta limpeza dos canais e um melhor saneamento básico.
Manoel Firmino, 53 anos, morador de Guabiraba há 40 anos, opinou. “O saneamento precisa melhorar muito, mas a coleta de lixo e o transporte público são muito bons e regulares”, disse ele.
Para Jerônimo, líder comunitário, esta iniciativa em ouvir a população é muito importante. “Outras entidades deveriam fazer isso também para informar e pressionar as autoridades para melhorar a vida da gente aqui”, cobrou. jerônimo afirmou que há um projeto, chamado Sementes do Amanhã, desenvolvido na comunidade para ajudar a trabalhar a conscientização contra o preconceito e que proporciona lazer aos jovens e crianças.
A oficina de pintura reuniu crianças no centro do bairro onde foram construídas obras que retratavam a realidade vivida pelos comunitários.
Padre Ricardo Rezende Figueira, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e um dos fundadores do Movimento Humanos Direitos, partipou da visita de hoje e parabenizou a ação desenvolvida pelo Conselho e o Sindicato dos Médicos. “Esta iniciativa do Cremepe e Simepe é um exemplo para todo o país porque se aproxima da população e busca levar soluções através do encaminhamento dos problemas encontrados às autoridades competentes”, elogiou.
O idealizador da ação e Conselheiro do Cremepe, Ricardo Paiva define o propósito desta iniciativa. “A pretensão da caravana é ser a voz dos que não tem voz e identificar o que está faltando na comunidade para, como orgão da sociedade civil, levar os diagnósticos para àqueles que são capazes de mudar a realidade destas comunidades”, concluiu.



