Atestado de óbito de idoso tem falha

Um levantamento realizado no Instituto de Medicina Legal (IML) de Pernambuco, localizado no bairro de Santo Amaro, área central do Recife, revela que as informações contidas em atestados de óbitos dos idosos são subnotificadas. De acordo com os resultados de uma pesquisa feita pelos médicos-legistas Aníbal Gaudêncio, Antônio Fernandes e Fernando Mendonça, o perfil da mortalidade geriátrica, por causas externas, não pode ser traçado corretamente, devido à falta de dados no Boletim de Informação de Cadáver.

“Essa falhas prejudicam a estatística do Estado. Consequentemente, o monitoramento epidemiológico fica comprometido, dificultando a formulação e implementação de políticas públicas”, declarou Gaudêncio.

Um dado que chamou a atenção no trabalho dos médicos foi o número de idosos que morrem em decorrência de acidentes com motocicletas. Mais de 80% dos itens do atestado não são preenchidos, impossibilitando a identificação da causa real do óbito (atropelamento ou colisão e se a vítima estava guiando o veículo ou de carona). “A falta dessas informações específicas interfere diretamente na contabilização do número de mortos por acidentes com motos, surto que o Estado vem tentando combater e já considera como problema de saúde pública”, explicou Aníbal.

Segundo a conclusão dos legistas, o treinamento inadequado ou inexistente dos profissionais que lidam diretamente com o preenchimento das informações seria o principal problema na deficiência de dados confiáveis dos boletins de óbito. “Seria necessário uma capacitação de todos os envolvidos com a especificação dos itens que influenciam no resultado final das estatísticas. Preencher os formulários com exatidão e detalhamento é essencial. Acredito que uma estratégia conjunta entre os serviços de saúde, delegacias de polícia e os institutos de medicina legal seja imprescindível para aperfeiçoar os processos e garantir a veracidade na estatística”, aconselha Aníbal Gaudêncio.

ESTATÍSTICA

O Boletim de Identificação de Cadáver é um documento para coleta de dados, instituído pelo governo do Estado através de portaria conjunta das Secretarias de Defesa Social (SDS) e Estadual de Saúde (SES), em dezembro 2010.

O uso do boletim tornou-se obrigatório, assim como a Pulseira de Identificação de Cadáver e o Número de Identificação de Cadáver, com o propósito de tornar mais eficiente o processo de consolidação das informações estatísticas, relacionadas a mortes no Estado. Os números são essenciais para o controle epidemiológico e implementação de políticas públicas de saúde.

Fonte: Jornal do Commercio

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