Semana agitada para grevistas

Policiais civis de Pernambuco fazem hoje a primeira assembleia de avaliação da greve, após o Estado recorrer à Justiça para aumentar o valor da multa diária cobrada ao sindicato da categoria (Sinpol), pela ilegalidade do movimento. O encontro será às 17h, na sede do Sinpol, em Santo Amaro, bairro do Centro do Recife. Considerada ilegal desde 23 de julho, quando foi deflagrada, a paralisação completa hoje 14 dias. O governo quer reajustar a pena de R$ 20 mil para R$ 50 mil.

O governo endureceu e isso era esperado. Mas não cabe só ao sindicato deliberar sobre o assunto, por isso convocamos a assembleia. Mesmo com ameaça, pressão e arrogância, os policiais civis se mostraram resistentes, afirma o presidente do Sinpol, Cláudio Marinho. De acordo com o sindicalista, os trabalhadores estão sendo intimidados com desconto dos dias parados e com listas para identificar quem aderiu ao movimento ou não.

Ameaças, diz ele, podem até forçar a volta ao trabalho, mas não seria a melhor alternativa. Não contribui em nada para o governo um servidor descontente e sem engajamento com o que faz. Quem perde com isso é o Pacto pela Vida (programa de segurança do governo), adverte. Cláudio Marinho acrescenta que a categoria não se espantou com o pedido de elevação do valor da multa. O acesso de assédio e ameaças nos surpreendem mais do que recorrer à Justiça.”

Eles reivindicam reajuste salarial e melhores condições de trabalho. Denunciam prédios sem condições estruturais, falta de equipamentos para trabalhar, coletes à prova de bala vencidos e carência de transporte para as diligências. O Sinpol contabiliza 5.832 policiais civis em Pernambuco. Um policial em início de carreira recebe R$ 2,6 mil no Estado. O sindicato informa que tenta negociar com o governo desde março, quatro meses antes de decidir pela greve.

Os policiais aproveitam o dia de hoje para percorrer as delegacias e divulgar a assembleia. No entendimento do sindicato, a adesão à greve é total. Estão funcionando apenas os serviços essenciais, mas o movimento conta com 100% dos policiais, garante. Por causa da paralisação, boletins de ocorrência, investigações e despacho de intimações encontram-se suspensos.

Nas delegacias de plantão, que funcionam em sistema de rodízio, os policiais registram apenas flagrantes. Além disso, continuamos recolhendo provas para investigações nos locais de crime, diz Cláudio Marinho. A população pode usar a Delegacia Virtual (www.sds.pe.gov.br) para providenciar o boletim de ocorrência.

Fonte: JC

 

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