Entrevista >> Evaldo Melo, psiquiatra e psicanalista

“Não havia um bom programa”

O senhor tem larga experiência no tratamento para dependentes de drogas. Como avalia o programa Atitude?
Antes, tínhamos dois protagonistas no combate ao vício das drogas: a saúde e a Justiça. Agora, o governo se dá conta de que há outros: a educação e a assistência social. É um avanço muito grande. O estado passa a desenvolver equipamentos como complemento ao tratamento de desintoxicação dos dependentes. Esse é um problema que sempre tivemos. Os usuários quebravam as relações familiares, os vínculos afetivos. Quando passavam por tratamento e decidiam parar, não havia um programa de reinserção social. O Atitude traz essa possibilidade.

Então esse é o diferencial do Aluguel Social, uma das quatro etapas do Atitude?
O processo de reinserção é um dos mais difíceis. O Aluguel Social é um passo. Mas, um risco que existe é de usuário confundir e achar que vai ser sustentado pelo estado. A finalidade do programa é dar autonomia às pessoas. Há tempo para começar e acabar (seis meses). Não é um programa assistencionalista. É preciso deixar claro que ele proporciona meios, recursos transitórios. Mas, não é um favor, pois o estado não tem obrigação de mantê-lo.

Fonte: Diario de Pernambuco

Compartilhe:

Deixe um comentário

Fique por dentro

Notícias relacionadas