Representantes do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) e profissionais de saúde do Hospital Regional do Agreste (HRA), localizado em Caruaru, reuniram-se ontem para discutir a falta de médicos na unidade. Diante da sobrecarga dos cirurgiões-gerais e ortopedistas e da falta de plantonistas nessas especialidades, o Cremepe vai agendar plenária para avaliar possível determinação de interdição ética no hospital. Caso a medida seja tomada, os médicos da unidade de saúde param as atividades. O HRA é um hospital de emergência, referência em trauma para 87 municípios.
O prazo-limite para a realização da plenária que vai determinar a interdição do hospital é de até duas semanas. A interdição é um recurso extremo que vamos utilizar caso o governo não ofereça soluções para a carência de recursos humanos neste hospital. Essa insuficiência de pessoal é muito complexa, pois acontece em uma unidade de saúde de urgência, integrante de uma grande rede de atendimento à população, afirma a presidente do Cremepe, Helena Carneiro Leão.
A entidade aponta, ainda, a existência de pagamento de servidores através de empenho, que é o pagamento de servidores da unidade para realização de plantões fora da rotina, na tentativa de diminuir as lacunas causadas pela carência de médicos no hospital. É um sistema flagrantemente ilegal. Atualmente, existem 10 cirurgiões-gerais trabalhando na unidade, quando o mínimo necessário são 21. Não podemos precisar a necessidade por ortopedistas, mas sabemos que pelo menos 10 médicos do hospital são pagos por empenho neste setor. A única solução é o lançamento de concurso público, diz o presidente do Sindicato dos Médicos de Pernambuco, Mário Jorge Lobo, também presente ao encontro.
De acordo com o Cremepe, o Hospital Regional do Agreste precisa de, no mínimo, um plantonista trabalhando por turno. No entanto, durante os sábados, a unidade chegaria a passar os três turnos sem plantão. Apenas em um dia da semana, o hospital atende a população com três plantonistas, de acordo com o conselho. Por causa dos plantões descobertos, os pacientes da emergência são encaminhados ao Recife. O Hospital Getúlio Vargas aumentou em 60% os procedimentos cirúrgicos por causa da demanda de pacientes do HRA. Essa transferência sobrecarrega a unidade recifense, além de ser muito perigosa aos pacientes, que precisam de intervenções de urgência, argumenta Helena Carneiro Leão.
Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde informou que desconhece os problemas apontados na reunião e ressalta que ainda não foi notificada oficialmente, mas vai analisar as reivindicações do Cremepe e adotar as providências para assegurar os serviços da maior emergência do Agreste.
Fonte: JC



