RIO – A greve da Receita Federal e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pode desencadear um problema de saúde pública. O alerta é dado pela Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (Sbac), preocupada com o desabastecimento dos materiais utilizados em exames e tratamentos de sangue nos laboratórios de todo o Brasil. O setor depende da importação, já que 70% dos insumos utilizados são provenientes de outros países e permanecem retidos em portos e aeroportos devido às paralisações. Caso a greve continue, o estoque pode acabar num prazo de uma a duas semanas.
Imagine essa situação numa UTI, ou num banco de sangue, onde todas as transfusões são urgentes e precisamos de uma série de exames importantes para qualificar o doador. Isso é um problema que já está criado, avalia o presidente da Sbac, Irineu Grinberg.
No Brasil, são realizados em média 150 milhões de exames de sangue por mês. Os laboratórios têm se organizado para redistribuir o insumo excedente em alguns locais. A maioria dos produtos acabará sendo inutilizada em breve, já que têm curtos prazos de validade. Alguns reagentes, por exemplo, que já se encontram retidos há um mês, duram apenas 60 dias.
Em nota, o Sindicato Nacional dos Servidores das Agências Nacionais de Regulação (Sinagências), que representa os funcionários da Anvisa, afirmou que desde 9 de agosto de 2012, após decisão do Superior Tribunal de Justiça, a força de trabalho está mantida em 70%, conforme decisão judicial.
Os prejuízos se estendem também a outras empresas ligadas ao setor. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios (Abimo), 130 das 400 empresas associadas já foram afetadas pela greve. O vice-presidente da Abimo, Paulo Henrique Fraccaro, afirmou que a entidade já contabiliza prejuízo de R$ 300 milhões em um mês de paralisações, considerando as vendas internas, as exportações e os custos de armazenagem dos contêineres muitos dos quais precisam ser refrigerados.
Ontem, a Abimo impetrou um mandado de segurança para tentar obter na Justiça a liberação de produtos que independem de inspeção da vigilância sanitária, tais como insumos e matérias-primas. Levantamento feito pela entidade aponta que 87% de suas associadas vêm enfrentando problemas com produtos retidos nos aeroportos e 46%, nos portos. Para Fraccaro, a situação só estará normalizada entre seis e dez semanas após o fim da greve.
O pior é que nós não temos alternativa. Se eu tivesse, nem que fosse um caminho mais caro, tudo bem. Mas eu não tenho. E o empresário nacional que ganhou uma licitação pública e não tem o produto ainda pode ser penalizado pelo órgão, lamenta.
Fonte: Agência Estado



