Espanha corta saúde para estrangeiros

MADRI – A partir de amanhã, milhares de imigrantes ilegais que vivem na Espanha não terão mais direito à saúde pública. O Itamaraty prevê dificuldades para os inúmeros brasileiros que vivem de forma irregular no país e terão de desembolsar valores significativos para serem atendidos.

Por causa da crise que afeta a Europa, o governo espanhol está realizando duros cortes em diversos setores. Na saúde, a meta é reduzir os gastos em 7 bilhões ao longo de dois anos. Para isso, apenas aqueles com residência legalizada poderão ser atendidos de forma gratuita em postos e hospitais.

O governo espanhol afirma que mulheres grávidas e casos emergenciais continuarão a ser atendidos. Mas não explica quais são as condições nem como será determinada, por exemplo, a urgência de uma operação.

O restante dos imigrantes terá de pagar pelo menos 700 por ano para ser atendido, mesmo que use o sistema apenas para uma consulta. A meta é atender apenas aos que pagam impostos regularmente.

Oficialmente, o governo conservador de Mariano Rajoy argumenta que a medida é uma forma de combater os abusos no sistema público. Segundo a ministra de Saúde, Ana Mato, muitos estrangeiros desembarcavam na Espanha para usar de forma gratuita os serviços de saúde.

O problema é que a medida acaba afetando justamente a população mais necessitada, os imigrantes irregulares. Dos 5,7 milhões de estrangeiros que vivem na Espanha, 500 mil seriam ilegais. Destes, cerca de 150 mil usaram o sistema de saúde no ano passado.

Fonte: JC

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