
Procons de todo o Brasil vêm registrando cada vez mais queixas contra os planos. Elas passaram de 12,5 mil em 2008 para 39 mil no ano passado, todas listadas no Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor (Sindec), que integra 24 Procons estaduais e outros 146 municipais em todo o País.
Os números revelam o crescimento do setor suplementar. O problema dos planos de saúde não estão restritos a especialidades, salienta o diretor do Procon de Pernambuco, José Rangel. Mesmo não tendo registros, por experiência ele nota a falta de neurologistas e pediatras.
Para a defensora pública Cristina Sakaki, que criou o Fórum estadual de Saúde Suplementar, a falta de profissionais parece ser maior nas especialidades dentro das especialidades. Temos muitas denúncias a atendimentos relativos a câncer, pois dentro da oncologia tem várias especialidades, mastectomia, químio, cirurgião. Mas o mesmo acontece em outras áreas, até mesmo em ortopedia, tem o especialista de joelho o de quadril etc, comenta. A Defensoria Pública do Estado não tem o registro numérico dessas ações que chegam até lá.
Essa realidade pode ser sentida nos consultórios. Um deles, a clínica Cemur, no Derby, estava lotado na tarde de quinta-feira. Os pacientes muitos deles já impacientes pela demora esperavam para, entre outros exames, realizar a ergometria, o teste da esteira que avalia a condição da pessoa sob esforço físico. Quem realiza a tarefa são os cardiologistas, como o médico Carlos Japhet. A lotação da clínica reflete a dificuldade dos pacientes em encontrar mais profissionais à disposição. Tem operadora que quer pagar R$ 40 pelo serviço que envolve um protocolo de preparo do paciente, o teste em si e a recuperação. Um equipamento desse é caro, com esteira e computadores que chegam a R$ 30 mil. O investimento é alto, sem falar nas despesas de pessoal e energia. Acontece que muitos preferem não atender planos, salienta Japhet.
Fonte: Jornal do Commercio



