Saúde: promessas sob medida

Imagem: Google
Eles pesquisaram, foram atrás dos principais gargalos e colocaram suas equipes para trabalhar. Elaboraram documentos e, há pelo menos um mês, gritam suas propostas para o recifense. Se depender do que contêm os programas de governo dos candidatos a prefeito do Recife mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto – Humberto Costa (PT), Geraldo Julio (PSB), Mendonça Filho (DEM) e Daniel Coelho (PSDB) –, a população sofrerá menos para ter acesso ao que é seu por direito constitucional: saúde.

Entre o papel e a realidade, entretanto, a distância nem sempre é curta. Apontada como um dos maiores problemas da cidade por moradores das seis regiões político-administrativas do Recife, de acordo com pesquisa do DiarioData Associados, a saúde na capital pernambucana permanece na berlinda. É considerado o maior de todos para a população de duas delas: a 3 (parte da Zona Norte) e a 4 (parte da Zona Oeste). Apesar de ter avançado na última década, ainda apresenta problemas estruturais e de gestão que põem em xeque até mesmo os mais bem conceituados projetos, como o Programa Saúde da Família (PSF), os Centros de Atenção Psicossocial (CAPs) e a rede de atendimento especializado.

Dados da Secretaria de Saúde do Recife apontam que o PSF tem hoje uma cobertura de 60% da população, com 121 unidades e 255 equipes. Se for associada às unidades básicas (postos de saúde) e às equipes de agentes comunitários de saúde, essa cobertura chega a 75%. Mas, de acordo com o presidente do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), Mário Jorge Lobo, ainda é pouco.

“O que acontece é que o problema do PSF não é apenas a falta de cobertura integral na cidade, mas o reduzido número de equipes nas unidades, a carência de profissionais em muitas delas e a precariedade das instalações dessas unidades”, afirmou Lobo.

A saúde mental e o atendimento materno-infantil também enfrentam estrangulamentos. Há carência de Centros de Atenção Psicossocial (CAPs) e de leitos para gestantes. São 17 CAPs, sendo apenas dois 24 horas, e duas maternidades municipais. “Há mais de dez anos não há oferta de novos leitos, e todos os partos de alto risco têm que ser feitos em unidades estaduais”, disse a secretária-geral do Simepe, Cláudia Beatriz, obstetra da Maternidade Barros Lima.

A Prefeitura do Recife informou que o município possui 13.456 servidores de saúde, sendo 1.559 médicos de cerca de 50 especialidades. O problema, na avaliação do presidente do Simepe, é que há carência de pessoal em todas elas, com maior ênfase em neonatologia, ortopedia, neurologia, reumatologia e imunologia.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e Seguridade Social do Estado de Pernambuco (Sindsaude), Tiago Oliveira, ressaltou que o maior de todos os problemas da saúde no Recife é, na realidade, a falta de interligação entre as unidades de saúde e as gestões municipais e estadual. Opinião essa que é compartilhada pela direção do Simepe.

As Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) são um exemplo. De responsabilidade do estado, foram criadas com o objetivo de diminuir a procura pelas emergências hospitalares. Mas o que tem acontecido, segundo Simepe e Sindsaude, é que elas fazem o atendimento emergencial, não encaminham o paciente que precisa a um hospital (ou policlínica), e o paciente permanece com o problema, desistindo da UPA e seguindo para a emergência hospitalar.

Saiba mais

Principais gargalos segundo o Cremepe e Simepe

Estrutura: 13.456 profissionais de saúde, sendo 1.559 médicos.

Problema: Muitos profissionais não concursados. A prefeitura realizou concurso público neste ano para cobrir o déficit existente: 804 profissionais. Até agora ninguém foi chamado.

Estrutura: 2 hospitais de pediatria – Helena Moura (Tamarineira) e Maria Cravo Gama (Afogados).

Problema: O hospital pediátrico Maria Cravo Gama foi fechado há três anos para a construção de uma nova unidade. Projeto no papel.

Estrutura: 121 unidades do Programa Saúde da Família (PSF), 255 equipes e cobertura de 60% da população.

Problema: Cobertura do PSF insuficiente e unidades com estruturas precárias. Número de equipes menor que a demanda. Cada equipe deve atender a uma média de duas mil pessoas. Atendem a 4 mil pessoas. Das 255 equipes, 15 não possuem médicos.

Estrutura: 17 Centros de Atenção Psicossocial (CAPs), sendo dois 24 horas.

Problema: Poucos CAPs. Maioria com estruturas inadequadas.

Estrutura: 7 unidades especializadas (DST/Aids e hepatites; saúde do trabalhador; reabilitação física; alergologia; mulher; cardiologia, oftalmologia e endocrinologia)

Problema: Rede de especialidades pequena. Tempo de marcação de consulta, que ultrapassa três meses, mostra isso.

Estrutura: 3 maternidades de baixa e média complexidades

Problema: Número de maternidades e médicos da área neonatal insuficiente para a demanda do Recife. As unidades também atendem a pacientes de outras regiões do estado. Nenhuma unidade de alta complexidade/risco.

Estrutura: Informatização de marcação de consultas e exames e de cadastro de usuários do SUS

Problema: Programa de informatização do sistema de saúde apenas no papel

Obs: Um dos maiores problemas é a falta de articulação entre as unidades de saúde no município e no estado

Proposta dos candidatos

Humberto Costa

Aumentar para 20% do orçamento o investimento na área

Investir na qualidade do serviço em atenção básica

Construir três novos hospitais especializados:  mulheres (alto risco), criança, idoso

Criar 25 Clínicas da Família para acompanhar a saúde dos recifenses

Ampliar para 75% a parcela da população atendida pelo Programa Saúde da Família

Ampliar programa Farmácia Popular aos pacientes com doenças crônicas degenerativas

Fortalecer vigilância epidemiológica sentinela.

Mendonça Filho

Construir 2 hospitais especializados: idoso, mulheres

Implantar uma maternidade para gestantes (alto risco)

Construir UPAs de especialistas nas 6 regiões administrativas da cidade

Criar a rede de assistência básica ao idoso

Criar a Coordenação de Saúde Bucal da prefeitura e ampliação para 50% da cobertura de assistência odontológica

Ampliar em 50% da cobertura do saneamento básico

Reestruturar o pronto atendimento nas policlínicas

Articular as unidades de saúde com as equipes do Programa de Saúde da

Família e à rede municipal de saúde.

Daniel Coelho

Implantar Unidades de Assistência Médica Ambulatorial (AMAs)

Informatizar os serviços de saúde

Criar rede integrada de informações em saúde

Instituir a entrega de medicamentos pelos correios.

Geraldo Julio

Construir 20 Upinhas 24 horas

Construir 6 UPA – Especialidades (média complexidade)

Implantar Mãe Coruja recifense

Construir o Hospital da Mulher (alto risco) com 110 leitos

PSF – 60 novas equipes em 20 Unidades Padrão

Melhoria da infraestrutura das unidades de PSF e integração com rede de
saúde.

Fonte: Diario de Pernambuco

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