MACEIÓ – No primeiro final de semana de greve do Instituto Médico Legal (IML) Estácio de Lima, em Maceió, a Justiça determinou a prisão dos médicos legistas de plantão, que se recusaram a fazer a necropsia em 17 corpos. Em reação, o Sindicato dos Médicos pediu que os profissionais fujam de Alagoas para não serem presos. Oficialmente, o sindicato não recebeu o pedido de prisão.
O presidente do Sindicato dos Médicos do Estado de Alagoas (Sinmed/AL), Wellington Galvão, criticou a decisão da Justiça, em entrevista ao site Tudo na Hora, parceiro do NE10 (tudonahora.ne10.uol.com.br). Quando a Justiça determina a prisão dos médicos, em entendimento com o governo, chama os profissionais de bandidos. Ninguém vai voltar atrás, pode mandar prender todos os médicos. Eu vou soltar arquivos que mostram o descaso e a imoralidade deste governo com a saúde pública, afirmou Galvão ao site.
Nenhum médico legista atende em Maceió. Amanhã, médicos e governo voltam a sentar, para discutir o fim da greve, na sede do Tribunal de Justiça.
No sábado, o clima de tensão com famílias desesperadas na porta do instituto obrigou o Centro de Gerenciamento de Crises da Polícia Militar a reforçar a segurança no prédio.
O juiz Maurício Brêda, integrante do Conselho Estadual de Segurança, esteve no local e constatou que nenhum médico apareceu para trabalhar. A situação é esta que os senhores estão vendo. Os médicos Sérgio Marinho de Gusmão e José Renalvo Alves Barbosa incorrem em crime porque não podem suspender um serviço considerado essencial. Como estão prevaricando, estão com ordem de prisão, disse o magistrado.
A Agência O Globo percorreu os corredores do IML e constatou que os corpos estavam no chão, nas pedras (local das necropsias) e nas geladeiras, sem espaço para novos cadáveres. Os rabecões estavam estacionados na garagem do instituto, trancada com cadeado.
O secretário de Defesa Social, coronel Dário César, disse no sábado que foi solicitado o bloqueio de bens do Sindicato dos Médicos e multa a cada um dos 30 profissionais que entraram em greve na quinta-feira (20). Essa paralisação é um flagrante desrespeito à legislação, ao Judiciário e às famílias das vítimas de morte violenta. É intransigência do sindicato, disse o secretário.
Após pedido do Ministério Público Estadual, a Justiça autorizou a liberação dos corpos sem necropsia. O diretor do IML, Luiz Mansur, disse ao site Tudo na Hora que os corpos serão liberados para sepultamento sem a realização do exame e posteriormente exumados, dependendo de cada caso. Com a decisão da Justiça, cada corpo que chegar ao instituto será fotografado, catalogado e entregue à família.
Hoje, o Conselho Estadual de Segurança deve se reunir para recomendar ao governo que faça contratações emergenciais de médicos legistas.
Em junho, 124 corpos foram enterrados em Alagoas sem necropsia. Esta é a terceira greve do IML neste ano, lembra o Tudo na Hora. A segunda delas foi encerrada no dia 27 de junho, após ter sido decretada ilegal pela Justiça. É importante lembrar que essa greve já foi decretada ilegal. A Justiça vai tomar providências mais duras, afirmou Dário César ao site.
A categoria reivindica a transferência do IML da capital para um novo prédio, a estruturação do IML de Arapiraca e o reajuste salarial dos profissionais com a adoção da tabela de vencimentos definida pela Federação Nacional dos Médicos.
Fonte: JC



