Hemobrás fornece o 1º produto para hospitais

A Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás) começou a fornecer ao Sistema Único de Saúde (SUS) o primeiro produto fabricado pela companhia. O repasse dos primeiros 3,4 litros de cola de fibrina foi assinado ontem com as diretorias dos hospitais da Restauração (HR), do Câncer de Pernambuco (HCP), Oswaldo Cruz (HUOC) e Pronto Socorro Cardiológico Universitário de Pernambuco (Procape).

A cola de fibrina é um selante biológico elaborado com o plasma humano que reduz ou detém hemorragias em cirurgias cardiovasculares, hepáticas, ortopédicas e neurocirurgias. O produto substitui a sutura. Enquanto a fábrica da Hemobrás em Goiana (Zona da Mata Norte) não entra em operação comercial, o produto está sendo fabricado num laborário construído na Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco (Hemope), no bairro recifense das Graças.

Em função do custo, o produto era pouco utilizado no SUS. O uso estava restrito à rede privada de hospitais. “Para ser ter uma ideia, um mililitro (ml) de cola de fibrina é importado por algo em torno de R$ 1 mil e R$ 1,5 mil. Com a produção local esperamos baratear esse valor, mas ainda não conseguimos dimensionar a que percentual porque ainda não temos escala industrial de fabricação”, observa o presidente da Hemobrás, Romulo Maciel Filho.

O laboratório de cola de fibrina do Hemope foi inaugurado em 2009 e recebeu investimento de R$ 2 milhões. Uma equipe de oito profissionais (biólogos, biomédicos, engenheiros de biotecnologia e farmacêuticos químicos) atuam no laboratório e foram responsáveis por desenvolver a tecnologia do produto. Segundo Romulo, quando alcançar escala industrial o laboratório deverá produzir entre 8 e 9 litros de cola por ano. O número pode parecer pequeno, mas o consumo médio em cada procedimento cirúrgico é de 5 ml.

O cliente da Hemobrás para a cola de fibrina será o Ministério da Saúde. Por enquanto, a produção foi repassada aos hospitais sem custo porque a Hemobrás ainda não opera comercialmente e não tem receita própria. Os investimentos na indústria e no laboratório foram repassados pelo ministério, que orientou a Hemobrás a procurar pela Secretaria Estadual de Saúde para apontar a lista dos primeiros hospitais que receberiam a cola.

Romulo afirma que o mais importante é a Hemobrás dominar a tecnologia de produção da cola. “Ainda estamos numa fase bastante embrionária, sem escala industrial. Mas o laboratório será transferido para o complexo de Goiana dentro de dois anos, quando a Hemobrás entrará em operação comercial”, diz. O presidente destaca a importância da cola principalmente entre os pacientes hemofílicos. “Imagine um procedimento odontológico, onde o paciente pode ter uma hemorragia. A cola de fibrina é uma solução”, exemplifica.

Fonte: Jornal do Commercio

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