Médicos residentes do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), uma das principais referências do SUS para todo o Estado, poderão entrar em greve na próxima semana caso o governo estadual não autorize imediata seleção simplificada de profissionais para reabertura de 112 leitos que foram fechados nos últimos quatro dias por déficit de mais de 500 servidores. O quantitativo desativado corresponde a quase 30% da capacidade de internamento, o que compromete tratamento de câncer, doenças infecciosas, transplante de fígado e outras atividades de referência no hospital centenário. Com capacidade reduzida na assistência, ficam prejudicados o ensino e a especialização em serviço. Segundo o diretor do Huoc, Raílton Bezerra, não havia como manter todas as enfermarias abertas depois que a unidade foi orientada pelo Tribunal de Contas e assessores jurídicos da UPE, à qual é vinculado, a desfazer escala de plantões extras de funcionários, que compensavam o déficit.
O hospital sofre sobretudo com a falta de enfermeiros e técnicos de enfermagem há mais de dois anos. Além disso, há três pavilhões fechados aguardando reformas. “Queremos a urgente abertura dos leitos com a reposição temporária dos quadros e organização de concurso para preenchimento definitivo das vagas”, explica Carlos Tadeu, médico residente do Huoc e presidente da Associação Pernambucana de Médicos Residentes.
Hoje de manhã ele se reúne com a Comissão de Residência Médica da Universidade de Pernambuco e representantes dos três hospitais universitários estaduais (incluindo Cisam e Procape) para discutir o processo seletivo de residentes para 2013, tendo em vista a crise do Oswaldo Cruz e o fechamento para reforma da Maternidade da Encruzilhada.
Ao todo são mais de 20 programas de residência na UPE. Os residentes fizeram assembleia ontem e se juntam aos estudantes de medicina e enfermagem
na defesa de uma solução urgente para o Oswaldo Cruz. “Queremos uma audiência com o governador Eduardo Campos, para ouvir um compromisso dele”, explica Elton Pedrosa, presidente do Diretório Acadêmico de Medicina. Na próxima segunda-feira, às 10h, os estudantes farão um ato na porta da reitoria da universidade estadual, em Santo Amaro, exigindo que professores da instituição “saiam da zona de conforto e semobilizem pelo Hospital Oswaldo Cruz”, afirma Pedrosa.
Ainda na segunda, eles distribuirão uma carta aos feras que farão o vestibular seriado da UPE para pedir que se juntem à defesa do tradicional hospital-escola do Recife. Na quarta, às 10h30, os acadêmicos farão nova mobilização na Secretaria de Ciência e Tecnologia, no Bairro do Recife, quando deve ser realizada uma reunião como Secretário de Ciência e Tecnologia, Marcelino Granja.
Fonte: JC



