Noventa e seis dos 112 leitos fechados no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc) por falta de profissionais e condições estruturais de pavilhões começaram a ser reabertos, com a contratação, a partir do último fim de semana, de quase 800 plantões extraordinários. Servidores voltaram a cumprir horários extras que tinham sido encerrados em novembro por orientação do Tribunal de Contas do Estado. Para garantir maior oferta de serviços à população, o diretor Raílton Bezerra também suspendeu as férias de funcionários programadas para o último mês do ano.
A reabertura dos leitos trouxe alívio para pacientes e funcionários de carreira do hospital. “Isso aqui é uma riqueza. Esse hospital não pode fechar não”, comentou Madalena Souza, tia de um jovem do Agreste que faz tratamento no Huoc contra câncer. “A luta foi grande, mas estamos conseguindo retomar os serviços”, enfatizou, emocionada, a enfermeira Ana Cristina Barbosa, do Isolamento de Doenças Infecciosas, onde foram reativados 19 leitos para adultos. Segundo a gerente da Divisão de Pacientes Internos, Admarry Eusébio, também estão sendo reabertos 38 leitos de oncologia, sete de terapia intensiva e outros 32 de diferentes clínicas. Dois pavilhões permanecerão fechados porque precisam de reformas. Com a seleção simplificada prevista pela UPE para janeiro, ela espera regularizar as escalas. Os R$ 5,3 milhões assegurados pelo governo estadual ainda não chegaram à conta do hospital, por razões burocráticas.
Restos de construções estão sendo retirados do terreno. O esgoto estourado no entorno dos pavilhões será removido nos próximos dias, promete o diretor. Na tarde de hoje haverá reunião na Promotoria da Saúde do Ministério Público Estadual.
DEFESA
Ontem, Bezerra recebeu apoio de experientes professores da Universidade de Pernambuco (UPE), como o ex-reitor Emanuel Dias, que condena a forma como o Estado vem tratando a crise do Huoc, “minorando o debate a um problema gerencial, quando há a doença crônica da falta de financiamento”. Ele teme pela excessiva interferência do governo na administração do hospital universitário. “A Constituição Brasileira (artigo 207) garante autonomia à universidade, que só deve lealdade à sociedade e ao conhecimento, não pode ser maculada por tendências políticas”, observou.
Embora tenha autorizado aporte de R$ 5,3 milhões para socorrer emergencialmente o Huoc, concurso público e seleção simplificada para recompor 360 postos de trabalho, o governo atribui a crise a problemas gerenciais da unidade. O secretário da Casa Civil, Tadeu Alencar, reforçou esse discurso na semana passada.
O diretor Raílton Bezerra considera que as críticas a sua gestão são um mal-entendido. “O secretário está vendo a realidade de outra forma. Uma boa conversa resolve isso, talvez esteja mal assessorado”, comentou. Sobre os R$ 135 milhões de investimentos que o governo diz ter feito no Huoc em 2011, Bezerra não entende a contabilidade. Segundo ele, o hospital recebe R$ 60 milhões por ano do Ministério da Saúde e o Estado paga a folha de pessoal. “O hospital parou serviços porque há déficit de profissionais”, diz o diretor. Ele também rebate a queixa de que não tem planos para a unidade: “Temos a nova radioterapia, com 75% dos trabalhos executados, R$ 1 milhão aprovado pelo Ministério da Saúde para obras como a do ambulatório de geriatria, além de projetos arquitetônicos para recuperar dois pavilhões”, enumera. “Não posso ser criticado por não saber a escala de plantão de um hospital com 1.500 servidores e mais de 300 médicos. Nenhum diretor tem isso decorado. Mas o setor de recursos humanos tem todas essas informações.” Diz ainda que abriu os 120 leitos acordados em 2009, ao contrário do que o Estado informa.
Fonte: Jornal do Commercio



