Diante do clima de tensionamento entre estudantes e professores de medicina com representantes do Governo Federal, na abertura do Congresso Brasileiro de Educação Médica, o governador Eduardo Campos (PSB) criticou a Medida Provisória 621/2013, que autoriza o Governo Federal a contratação de profissionais brasileiros e estrangeiros para atuar em áreas carentes.
Segundo Campos, “o programa é fruto da falta de planejamento na formação de profissionais brasileiros”. “Nós precisamos reconhecer publicamente que o Brasil falhou no planejamento da formação de pessoas para uma área essencial na cidadania brasileira. Se hoje o Brasil importa médicos é porque ontem o Brasil não ouviu fóruns como esse”, afirmou, sendo aplaudido pelo público presente.
Antes do discurso do presidente nacional do PSB, o clima era propício para uma crítica contundente contra o programa. Atento aos pronunciamentos, Eduardo viu a presidente da Associação Brasileira de Educação Médica, Jadete Lampert, ser aplaudida ao declarar que os representantes da classe médica continuam “desconfortáveis” e discordando da medida que ela classificou como “autoritária” por não levar em consideração o diálogo com as entidades.
Em seguida, representando o Ministério da Saúde, o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério, Mozart Sales (PT), não abordou diretamente o Mais Médicos, mas fez questão de afirmar que o Governo Federal “considera o debate fundamental“ e “entende” que divergências são naturais com entidades. O petista não escapou das vaias do público. Com o Governo Federal de alvo, Campos teve a oportunidade de dar a cartada final e discursar contra a carência na formação de médicos para um público que, em sua maioria, era de estudantes da área.
Após a abertura do Congresso, o governador reafirmou as críticas em entrevista à Imprensa. O presidenciável relatou que houve um processo de redução de vagas para o curso nos últimos anos que resultou na formação de menos profissionais que a demanda, em especial, em locais afastados dos centros urbanos. Eduardo ainda alertou que é preciso tomar providências para que a importação de médicos não se torne algo comum. Ao término da entrevista, Campos ainda foi abordado pela médica carioca Márcia Silveira que declarou voto ao presidenciável, um sinal de que o discurso surtiu efeito.
Fonte: Folha de Pernambuco



