Conta a mitologia que Narciso morreu ao se afogar, apaixonado por sua própria imagem. Da época do surgimento do mito para os dias atuais, o fenômeno ainda se repete; mas o espelho de água tornou-se as telas digitais de computadores, tablets e smartphones. Todo mundo quer se mostrar, ser visto – e principalmente admirado – nas redes sociais, seja por fotos ou comentários. Essa superexposição, no entanto, pode gerar problemas – tanto para quem publica quanto para quem vê o que é postado na web, que pode sentirse irritado ou ofendido. Bom senso nunca é demais para não cometer gafes. Segundo a consultora de Comunicação Marcela Costa, o cenário digital reconfigurou as noções de espaço e tempo, provocou mudanças no nosso cotidiano. “Ele é tão intrínseco às nossas vidas que nem percebemos que estamos conectados o tempo todo, conversando com os nossos ‘amigos’ o tempo todo, vendo o que nossos ‘amigos’ estão falando e fazendo e compartilhando nossa própria vida demaneira que cada momento se torna um texto, uma imagem, um vídeo a ser publicado e compartilhado. Parece que a vida só é percebida como real quando compartilhada para as nossas redes sociais“, analisa a consultora. O que antes era segredo tornou-se um “livro aberto” e acessível aomundo. Para psicólogos, esse exagero gera uma quase patologia. “Um dos pontos mais citados na clínica é a necessidade da postagem como um ritual para ser adorado por outras pessoas. Além disso, há o desejo de mostrar que sua vida é bonita e sem falhas, o que é uma ilusão”, aponta o tutor de Psicologia da Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS) Igor Lins Lemos, especialista em comportamento online. A superexposição abre espaço não só para gafes, mas para riscos como crimes virtuais, sequestros e até a velha fofoca. “A pessoa ainda pode passar a impressão de que é alguém muito diferente do que é no mundo real, que é dependente da Internet, ou mesmo que é desocupado”, completa. Os especialistas recomendam cautela com o que se posta nas redes sociais. “À vezes, tenho a impressão de que as pessoas sentem uma necessidade absurda de opinar sobre tudo, sem muitas vezes ter conhecimento sobre o assunto. Muitos acabam falando besteira e passam vexame. Do mesmo jeito que sentem uma vontade imensa de compartilhar todos os momentos (público e privados) e se expõem em excesso”, cita Marcela Costa Segundo a especialista, é necessário entender que, por mais que a internet seja visto como um lugar “livre”, n verdade, essa liberdade não existe. “Somos vigiados e estamos vigiados o tempo todo e de vemos ter muito cuidado com isso”, ressalta.
Fonte: Folha de Pernambuco



