08 de março: Dia Internacional de Luta das Mulheres (artigo)

Dia de rememorar a morte de aproximadamente 130 mulheres que foram queimadas por lutar por seus mínimos direitos. Dia de lembrar que a disparidade de gênero ainda existe no nosso país. Dia de reafirmar novamente a importância de haver um dia especial para isso. Não que deixaremos de fazer nossas batalhas cotidianas nos outros 364 dias do ano, mas ainda precisamos de um dia específico para colocar em pauta as infinitas desigualdades que existem e explicitar nossa voz e nossas prioridades. Diante disso, nossa prioridade no dia de hoje não é receber os parabéns, buquês de flores, perfumes, desconto em salão de beleza, convite de jantares, kit maquiagem ou prioridade nos atendimentos. Esse dia é dia de sairmos nas ruas propagar para a sociedade que somos esquecidas, discriminadas, oprimidas e violentadas. E, lembrar disso, não é motivo nenhum de comemorações.

Nesse ano, estivemos em 2 atos: um pela manhã juntamente com as companheiras de diversos sindicatos fazendo a batucada feminista na Praça 13 de maio; e outro à tarde no ato unitário dos movimentos feministas na Praça do Diário, retomando o grito de guerra dos anos 70, NOSSO CORPO NOS PERTENCE. Nesses atos, reafirmamos a necessidade da efetivação de creches públicas e gratuitas que permitam a nós mulheres deixar nossos filhos em bons cuidados, garantindo nossa jornada de trabalho; a relevância da legalização do aborto, uma questão de saúde pública, visto que muitas mulheres continuam morrendo por não terem acesso a serviços públicos de qualidade; e reivindicamos o fim do uso das imagens de nossos corpos como meio de propagandear produtos comercializáveis, somos mulheres e não mercadorias!

As tarefas para o ano são extensas. Na Semana do Dia Mundial da Saúde faremos uma oficina sobre a temática “Aborto, uma questão de Saúde Pública”. Em Junho, no Rio de Janeiro, participaremos da Cúpula dos Povos como uma forma de superação da injustiça social ambiental e debatendo causas estruturais da atual crise civilizatória. E também atuando em outras atividades como o Grito dos Excluídos no dia 07 de setembro; no Dia de Luta contra a descriminalização do aborto na América Latina e Caribe, no 28 de setembro, dentre outros. Participe conosco!

Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres!

 

Nicole Geovana Dias Carneiro

Médica da Unidade Saúde da Família Mangueira I – Recife-PE

Residente de Medicina de Família e Comunidade da UFPE

Militante da Marcha Mundial das Mulheres

 

 

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