Proximidade com Getúlio Vargas pode atrasar obras

Hoje, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) entrará na Justiça com um pedido de paralisação das obras do corredor exclusivo de Bus Rapid Transit (BRT) do eixo Leste Oeste. Previsto para ser concluído em fevereiro do próximo ano, ele ligará Camaragibe ao Centro do Recife. Contudo, caso a solicitação seja acatada, o prazo das intervenções deverá se estender. Consciente da importância da obra para a mobilidade da Região Metropolitana do Recife, o promotor de meio-ambiente, Ricardo Coelho, sabe que a paralisação pode atrasar todo o projeto, o que comprometeria seu pleno funcionamento para a Copa do Mundo, que começa no dia 12 de junho. Mesmo assim, defende que são necessários alguns ajustes em benefício da população municipal.

A implantação do Leste Oeste iniciou em março deste ano e contará com 21 estações de embarque e desembarque, em um trecho de 12,5 quilômetros. Para o promotor, no entanto, um dos grandes entraves a ser revisto é a construção de um terminal integrado de passageiros ao lado do Hospital Getúlio Vargas, no Cordeiro, Zona Oeste da Capital. Ele afirma que a proximidade entre os dois empreendimentos deverá causar danos a pacientes da unidade de saúde e ao trânsito local.

“O fato de a obra estar licenciada não quer dizer que ela seja perfeita ou imune a qualquer tipo de problema. Você tem inúmeros exemplos de obras licenciadas que causaram danos à cidade ou à RMR. Suape é um bom exemplo, pois os danos provocoados ao meio ambiente são inegáveis. Nós sabemos que a obra está licenciada, mas entendemos que algumas pequenas alterações poderiam ser feitas para evitar transtorno aos pacientes e às demais pessoas”, argumentou.

O mestre e doutor em Otorrinolaringologia do Hospital das Clínicas (HC), Fábio Coelho, alertou que todo o barulho acima do permitido é nocivo, principalmente quando se trata de ambiente hospitalar. “Existem limites a serem respeitados. O ideal é que, próximo às unidades hospitalares, não houvesse barulho nenhum. Acima de 85 decibéis você vai ter prejuízo na audição. Além disso, há vários estudos mostrando que o ruído aumenta o nível de estresse. Para quem está doente é ainda pior”, comentou. Segundo o especialista, a buzina e a intensidade do barulho são algumas questões que demandam cuidado.

Sobre o pedido de embargo do Leste-Oeste, fundamentado em um Inquérito Civil Público, o promotor Ricardo Coelho também chama a atenção para as árvores derrubadas para implantação do corredor. “Centenas de espécies foram retiradas da Caxangá e se planeja plantá-las em Carpina (Mata Norte de Pernambuco). Nossa luta é para que o plantio seja na região do corredor, para diminuir esse impacto”, explicou. O local para replantio da vegetação foi indicado pela Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH).

Fonte: Folha de Pernambuco

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