A periferia contra oAedes aegypti

Dia ensolarado, música e conscientização no combate ao mosquito Aedes aegypti. O domingo na comunidade dos Coelhos, na área Central do Recife, foi diferente para os cerca de dez mil moradores. A periferia se preparou bem para a luta contra o transmissor da dengue, zika vírus e chikungunya. O trabalho não ficou apenas na inspeção de agentes epidemiológicos nas casas. A programação foi repleta de música e atividades culturais, que estimularam a população a intensificar o combate ao vetor. Por meio de parceria do Ministério da Saúde com a Central Única das Favelas (Cufa), a comunidade dos Coelhos recebeu a primeira edição da ação Faxinaço #ZikaZero, que anteriormente passou por periferias dos estados do Rio de Janeiro, Bahia e Sergipe. O objetivo é levar a proposta de usar características culturais e artísticas da localidade para incentivar e transmitir a mensagem de prevenção contra o zika vírus. Um pequeno palco foi montado ao lado do campinho dos Coelhos. As atrações foram os grupos de maracatu formado por crianças da comunidade, o rapper local KBS Marques e a rapper carioca Nega Gizza. Segundo o presidente da Cufa em Pernambuco, Cesar Cronenbold, o Recife foi uma das capitais escolhidas para receber a ação por apresentar um dos maiores índices de enfermidades causadas pelo mosquito e que a comunidade foi indicação da Cufa. “Os Coelhos é uma das periferias mais articuladas com a Cufa, além de critérios técnicos e sociais”, ressaltou o coordenador, acrescentando que o Faxinaço #ZikaZero passou no fim de semana pelos bairros de Brasília Teimosa e Alto Santa Isabel. Nascida e criada nos Coelhos, a secretária Fabíola Maria da Silva, 32 anos, achou interessante a iniciativa e aproveitou o dia de folga para levar o sobrinho para brincar junto aos colegas de bairro e pegar algumas dicas de prevenção contra o mosquito. “Gostei da iniciativa. É difícil acontecerem eventos como esse por aqui. Então aproveitei para trazer Júlio (sobrinho) e pegar algumas orientações sobre o combate ao mosquito. Todo mundo lá em casa adoeceu. Então, é necessário que a mudança parta de nós”, avaliou. O rapper Flávio Marques, mais conhecido como KBS Marques, aprovou a ideia de usar a música e elementos culturais da comunidade para incentivar a população no combate ao Aedes. “Por meio da música, do grafite e da cultura, é mais fácil que a comunidade capte a mensagem que é transmitida hoje (ontem)”, ressaltou.

Fonte: Folha de Pernambuco

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