Todos contra o mosquito

A notícia de que a vacina contra a dengue está a caminho não deve servir para aliviar a mobilização da sociedade contra a proliferação de focos do mosquito transmissor desta e de outras doenças, como a zika e a chicungunha. O esforço coletivo que começa pelas autoridades, com o envolvimento de igrejas, das Forças Armadas e outras instituições públicas e privadas, precisa ser intenso e contínuo, sem dar trégua para o Aedes aegypti.

No País inteiro, o ano começa com a preocupação pelo avanço da microcefalia, causada pelo zika vírus, e pela perspectiva de novos surtos de dengue e chicungunha, em virtude do verão, e até pela suspeita de um caso de febre amarela em Natal, no Rio Grande do Norte – a febre amarela, que também pode ser transmitida pelo Aedes, não é registrada em área urbana no Brasil há mais de 70 anos. Quarto estado com maior número de notificações de microcefalia, o governo do Rio Grande do Norte seguiu os passos de outras unidades da federação, ao instalar um comitê para monitorar os focos do mosquito e acompanhar de perto o impacto das medidas preventivas e de controle à sua disseminação.

No Recife e em outras cidades brasileiras, verdadeiros mutirões têm sido formados para conscientizar as pessoas de que a grande maioria dos criadouros do mosquito encontra-se dentro das residências, notadamente naquelas onde há o costume de estocar água para consumo. Em Jaboatão dos Guararapes, o Exército acompanha até 15 de janeiro os agentes municipais de saúde, numa ação conjunta de visita aos bairros mais suscetíveis. Voluntários da Arquidiocese de Olinda e Recife também têm participado dos mutirões. O poder público tem o dever de liderar, mas sozinho – ou mesmo com o apoio do Exército e das comunidades religiosas – não é capaz de resolver o problema. A iniciativa da própria sociedade é a única arma eficaz na guerra contra o Aedes e suas enfermidades.

É claro que o dever de cada um não retira a obrigação do poder público, como a cobertura de serviços de saneamento e esgoto, cuja falta também contribui para a proliferação do mosquito. Como lembrou a coluna JC nas Ruas, menos de um terço da Região Metropolitana do Recife conta com rede de esgoto, uma omissão histórica que tem que ser revertida o quanto antes. E mesmo a rede existente apresenta inúmeros problemas. A água parada nas ruas é tão perigosa quanto a acumulada nas casas. A responsabilidade das autoridades, portanto, não se exime, inclusive no acesso aos imóveis abandonados ou fechados, para dirimir suspeitas de reservatórios propícios ao desenvolvimento das larvas. Desde outubro, já existe em São Paulo lei garantindo a entrada dos agentes públicos de saúde em imóveis, sem a permissão do dono. Em Jaboatão, a legislação foi sancionada em dezembro. Se todos cumprirem a sua parte, as doenças do mosquito podem ser evitadas.

Fonte: Jornal do Commercio

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