52% dos recifenses foram vítimas do Aedes aegypti

Mais da metade dos recifenses tiveram alguma das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti em 2015. Uma pesquisa encomendada pela Folha ao Instituto Exatta verificou junto à população que 52% dos moradores da Capital afirmam ter tido dengue, zika ou chikungunya. A faixa etária com mais relatos de adoecimento foi entre os 34 e 44 anos, seguido daqueles com idades entre 45 e 59 anos. O levantamento ouviu 1,6 mil pessoas maiores de 16 anos, entre 23 e 29 de dezembro de 2015.

Quem sentiu na pele os reflexos de uma das doenças transmitidas pelo Aedes na Capital tenta proteger o resto da família eliminando focos do mosquito vetor das doenças. “Depois que contraí chikungunya tive mais cuidado em relação aos criadouros do mosquito. É importante termos consciência do nosso papel nesse combate. Mesmo assim alguns vizinhos não fazem o dever de casa e por isso aqui no bairro muita gente ficou doente”, contou o vendedor Jair Barbosa, 65 anos. Ele é morador do Alto do Mandu, um dos bairros com maior infestação do Aedes.

Secretária-executiva em Vigilância à Saúde do Recife, Cristiane Penaforte comentou a pesquisa. “O paciente dizer que já teve alguma virose é muito das informações que ele recebe na rua, na mídia. Não acho que seja difícil, quando se têm seis vírus circulantes, a probabilidade que alguém em algum momento da vida ter sido acometido. Agora não se pode desconsiderar que são doenças em que os sinais e sintomas são muito parecidos com outras doenças exantemáticas”, comentou, destacando que a notificação do caso depende da busca do paciente pelo serviço de saúde, do registro feito pelo profissional e, ainda, do diagnóstico laboratorial da doença.

A gestora antecipou que os dados da última semana de dezembro junto com a primeira de janeiro indicam uma nova alta das virores, principalmente da chikungunya. Com relação ao boletim divulgado no dia 30 de dezembro, o aumento de casos suspeitos de chikungunya foi de 43,1% – já são 236 confirmados. Já o zika vírus teve 183 casos notificados e oito confirmados. É de se levar em conta que apenas a partir de 10 de dezembro começaram as notificações próprias para zika, que durante todo o ano foi incluída como dengue nos registros ou colocada fora das estatísticas.

Mudança no clima preocupa

Após as chuvas do final de semana passado, o sol voltou a aparecer ontem na Capital. A água que ficou acumulada em calhas, garrafas, pneus e demais recipientes favorece o aumento de focos do Aedes, levando a Secretaria de Saúde do Recife a ficar atenta à questão meteorológica.

“Fazemos esse acompanhamento do índice pluviométrico e do volume de chuva que caiu para fazer bloqueios em bairros de maior risco”, adiantou Cristiane Penaforte. Os bloqueios são realizados pelos agentes de combate a endemias. Só no final de semana passado, os profissionais visitam 3 mil imóveis na Zona Sul.

E as chuvas do último final de semana podem voltar a acontecer. Segundo o meteorologista da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), Roberto Pereira, o temporal é reflexo do sistema de Vórtice Ciclônico de Altos Níveis, que favorece a formação de nuvens e precipitações. O fenômeno está ocorrendo no Nordeste, mas vem perdendo força. Ele pode durar até 15 dias. Em Pernambuco, a previsão é que se desloque mais para o Sertão. “Na RMR, a possibilidade de chuva mais significativa e generalizada diminuiu bastante”, disse o especialista.

Fonte: Folha de Pernambuco

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